Visão Judaica - Edição N° 23
:. Um palestino de 'cabeça mudada' - Ex-terrorista arrependido faz palestras sobre como o ódio aos judeus é ensinado.:




Por: Stewart Ain *


Um palestino que admite abertamente ter sido o terrorista que atacou a agência do Banco Leumi em Belém e agrediu quase até a morte um soldado israelense, diz agora que vê a loucura de suas atitudes, quer convencer outros palestinos a deixar de odiar os judeus e gostaria de pedir desculpas ao soldado. Walid Shoebat, 43 anos, que vive agora no Norte da Califórnia — ele recusa a dizer onde por temor de represálias — disse que experimentou o que ele próprio descreve como uma "mudança de cabeça" depois de mudar-se de Belém para os Estados Unidos em 1978. Ele conta que isso aconteceu enquanto ele lia a edição King James1 da Bíblia, a pedido de sua terceira esposa em 10 anos, que é católica. (Sua primeira esposa era judia — sobre a qual disse que só soube disso acidentalmente, após o casamento deles — e a segunda esposa dele era muçulmana).
" Eu cheguei à conclusão de que os pecados [bíblicos] de David estavam expostos na Bíblia e que a Bíblia era brutalmente honesta enquanto o Alcorão escondia coisas", disse ele durante a entrevista ao “The Jewish Week”. "Eu comecei estudando a história do povo judeu... e avaliando as coisas honestamente. Percebi que eu tinha estado no caminho errado e que matar judeus não é o caminho. Não me preocupo se não for o verdadeiro Islã, isto é o que me foi ensinado na escola e é o que é ensinado em cada uma de todas as escolas palestinas. Nós fomos ensinados que [os judeus] são macacos, porcos e assassinos do profeta e os assassinos de Jesus".
Shoebat, que então tinha programado para falar às 18 h do dia 21 de março no Instituto Hebraico de Riverdale contou que a hostilidade contra os judeus era ensinada em casa e na escola.
" Quando eu tinha 6 anos de idade fui ensinado cantar na escola 'Os árabes são amados, os judeus são nossos cães'".
Shoebat disse ainda que lembra de que quando tinha 14 anos uniu-se a outros jovens palestinos para lançar pedras num motorista de caminhão israelense que acidentalmente tinha atingido com o veículo uma menina palestina.
" Nós quebramos o vidro [do caminhão] e ele continuava pedindo por ajuda para a menina", disse Walid. "Finalmente, ele deu partida no caminhão sair dali e salvar sua vida. Então, nós voltamos para escola e um homem cego que fazia parte da associação dos estudantes começou um discurso inflamante que dizia ser o acidente intencional. Isso quase criou uma intifada, e a polícia veio conter o distúrbio. Levei 20 anos pensando naquela história e o fato de que se o sujeito era cego, como ele poderia ter visto o que aconteceu? Por que uma escola inteira seguiu um homem cego?"
A escatologia islâmica exerceu um papel principal nas suas ações, e exerce, nas de outros jovens palestinos, disse Shoebat. Entre as frases “marteladas” em suas cabeças estava: "O dia do julgamento não virá até as tribos do Islã derrotem as tribos de Israel. Foi perguntado ao profeta onde isto seria, e ele disse, Jerusalém e seus vizinhos”.
" Meus professores da escola usaram esta mesma profecia", disse ele. "Eu me lembro de ter erguido minha mão e perguntando quando nós derrotarmos os judeus, o que aconteceria às mulheres judias. Foi nos dito que poderíamos ter sexo com elas. Eu perguntei: 'Consensual? ' Não, me foi falado. Eu disse: 'isso é estupro’. Me falaram: 'Não, de acordo com Islã, não é.'"
Quando ele tinha 16 anos, lançou uma bomba sobre o telhado do Banco Leumi em Belém, depois de ficar nervoso sobre colocá-la na entrada, como tinha sido instruído.
" Fez um barulho enorme e eu corri quando eu vi fumaça negra saindo do banco", ele disse, acrescentando que ficou contente quando ele soube depois que ninguém tinha se ferido.
" Essa foi a primeira vez que eu senti o peso de como é ter sangue em suas mãos", declarou.. "Não fazia diferença se fosse judeu ou árabe. Eu me sentia muito apavorado e deprimido. Não desfrutei do que fiz, mas eu me sentia compelido a fazê-lo porque era meu dever. Eu me sentia compelido a ser um mártir, matar judeus para então ir ao paraíso e conhecer as 72 [ virgens]”.
Mais tarde naquele ano, disse Shoebat, ele e outros jovens quase mataram um soldado israelense em Beit Sahur, uma aldeia em Belém.
" Pedras voavam [sobre um soldado israelense] como gafanhotos e ele tentou pegar os garotos. Mas nós o encurralamos”, ele recordou. "Eu tinha um cassetete de madeira e bati na cabeça dele até que se quebrou. Outro garoto tinha uma vara com uma ponta afiada e ele ficava golpeando a cabeça dele com a ponta”.
Finalmente, o soldado escapou e correu em direção à sua segurança.
Shoebat diz que é freqüentemente assombrado por aquela memória e gostaria de encontrar o soldado para desculpar-se por suas ações.
" Eu gostaria de ficar tão perto dele como seu próprio irmão", declarou. “Tome isso como um símbolo de arrependimento, de teshuvah. Entenda, nós estávamos loucos e cegos pela histeria. A linguagem do ódio cega”.
Shoebat disse que ele agora cumpre um roteiro de três semanas em seis cidades de Costa Leste para falar a grupos sobre sua transformação.
" Eu estou reparando o que fiz falando, indo às universidades e enfrentando os palestinos nas universidades e indo para a mídia", disse Shoebat que se converteu ao cristianismo em 1993 depois de seis meses de estudo intenso da Bíblia.
E ele também fala contra a formação de um estado palestino, observando que os palestinos nunca deixarão Israel viver em paz.
“ O que está acontecendo nas áreas da Autoridade Palestina é pior do que havia na Alemanha nazista", insiste Shoebat, acrescentando que ódio aos judeus tomou conta da mídia, das artes, até mesmo nas palavras cruzadas.
" Eles dizem que odeiam Hitler porque ele nunca fez o serviço por inteiro", disse ele. "É nazismo criado sob uma fachada religiosa."

Nota:
1 – A edição King James da Bíblia é muito popular nos Estados Unidos. É a versão utilizada pela igreja anglicana.

* Stewart Ain é da equipe de editores do jornal “The Jewish Week”, de Nova York. O presente artigo foi publicado na edição de 12 de março de 2004. Tradução: equipe de Visão Judaica.

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