Por: Stewart Ain *
Um palestino que admite abertamente ter sido o terrorista que atacou
a agência do Banco Leumi em Belém e agrediu quase
até a morte um soldado israelense, diz agora que vê a
loucura de suas atitudes, quer convencer outros palestinos a deixar
de odiar os judeus e gostaria de pedir desculpas ao soldado. Walid
Shoebat, 43 anos, que vive agora no Norte da Califórnia — ele
recusa a dizer onde por temor de represálias — disse
que experimentou o que ele próprio descreve como uma "mudança
de cabeça" depois de mudar-se de Belém para
os Estados Unidos em 1978. Ele conta que isso aconteceu enquanto
ele lia a edição King James1 da Bíblia, a
pedido de sua terceira esposa em 10 anos, que é católica.
(Sua primeira esposa era judia — sobre a qual disse que só soube
disso acidentalmente, após o casamento deles — e a
segunda esposa dele era muçulmana).
"
Eu cheguei à conclusão de que os pecados [bíblicos]
de David estavam expostos na Bíblia e que a Bíblia
era brutalmente honesta enquanto o Alcorão escondia coisas",
disse ele durante a entrevista ao “The Jewish Week”. "Eu
comecei estudando a história do povo judeu... e avaliando
as coisas honestamente. Percebi que eu tinha estado no caminho
errado e que matar judeus não é o caminho. Não
me preocupo se não for o verdadeiro Islã, isto é o
que me foi ensinado na escola e é o que é ensinado
em cada uma de todas as escolas palestinas. Nós fomos ensinados
que [os judeus] são macacos, porcos e assassinos do profeta
e os assassinos de Jesus".
Shoebat, que então tinha programado para falar às
18 h do dia 21 de março no Instituto Hebraico de Riverdale
contou que a hostilidade contra os judeus era ensinada em casa
e na escola.
"
Quando eu tinha 6 anos de idade fui ensinado cantar na escola 'Os árabes
são amados, os judeus são nossos cães'".
Shoebat disse ainda que lembra de que quando tinha 14 anos uniu-se
a outros jovens palestinos para lançar pedras num motorista
de caminhão israelense que acidentalmente tinha atingido
com o veículo uma menina palestina.
"
Nós quebramos o vidro [do caminhão] e ele continuava
pedindo por ajuda para a menina", disse Walid. "Finalmente,
ele deu partida no caminhão sair dali e salvar sua vida.
Então, nós voltamos para escola e um homem cego que
fazia parte da associação dos estudantes começou
um discurso inflamante que dizia ser o acidente intencional. Isso
quase criou uma intifada, e a polícia veio conter o distúrbio.
Levei 20 anos pensando naquela história e o fato de que
se o sujeito era cego, como ele poderia ter visto o que aconteceu?
Por que uma escola inteira seguiu um homem cego?"
A escatologia islâmica exerceu um papel principal nas suas
ações, e exerce, nas de outros jovens palestinos,
disse Shoebat. Entre as frases “marteladas” em suas
cabeças estava: "O dia do julgamento não virá até as
tribos do Islã derrotem as tribos de Israel. Foi perguntado
ao profeta onde isto seria, e ele disse, Jerusalém e seus
vizinhos”.
"
Meus professores da escola usaram esta mesma profecia", disse
ele. "Eu me lembro de ter erguido minha mão e perguntando
quando nós derrotarmos os judeus, o que aconteceria às
mulheres judias. Foi nos dito que poderíamos ter sexo com
elas. Eu perguntei: 'Consensual? ' Não, me foi falado. Eu
disse: 'isso é estupro’. Me falaram: 'Não,
de acordo com Islã, não é.'"
Quando ele tinha 16 anos, lançou uma bomba sobre o telhado
do Banco Leumi em Belém, depois de ficar nervoso sobre colocá-la
na entrada, como tinha sido instruído.
"
Fez um barulho enorme e eu corri quando eu vi fumaça negra
saindo do banco", ele disse, acrescentando que ficou contente
quando ele soube depois que ninguém tinha se ferido.
"
Essa foi a primeira vez que eu senti o peso de como é ter
sangue em suas mãos", declarou.. "Não fazia
diferença se fosse judeu ou árabe. Eu me sentia muito
apavorado e deprimido. Não desfrutei do que fiz, mas eu
me sentia compelido a fazê-lo porque era meu dever. Eu me
sentia compelido a ser um mártir, matar judeus para então
ir ao paraíso e conhecer as 72 [ virgens]”.
Mais tarde naquele ano, disse Shoebat, ele e outros jovens quase
mataram um soldado israelense em Beit Sahur, uma aldeia em Belém.
"
Pedras voavam [sobre um soldado israelense] como gafanhotos e ele
tentou pegar os garotos. Mas nós o encurralamos”,
ele recordou. "Eu tinha um cassetete de madeira e bati na
cabeça dele até que se quebrou. Outro garoto tinha
uma vara com uma ponta afiada e ele ficava golpeando a cabeça
dele com a ponta”.
Finalmente, o soldado escapou e correu em direção à sua
segurança.
Shoebat diz que é freqüentemente assombrado por aquela
memória e gostaria de encontrar o soldado para desculpar-se
por suas ações.
"
Eu gostaria de ficar tão perto dele como seu próprio
irmão", declarou. “Tome isso como um símbolo
de arrependimento, de teshuvah. Entenda, nós estávamos
loucos e cegos pela histeria. A linguagem do ódio cega”.
Shoebat disse que ele agora cumpre um roteiro de três semanas
em seis cidades de Costa Leste para falar a grupos sobre sua transformação.
"
Eu estou reparando o que fiz falando, indo às universidades
e enfrentando os palestinos nas universidades e indo para a mídia",
disse Shoebat que se converteu ao cristianismo em 1993 depois de
seis meses de estudo intenso da Bíblia.
E ele também fala contra a formação de um
estado palestino, observando que os palestinos nunca deixarão
Israel viver em paz.
“
O que está acontecendo nas áreas da Autoridade Palestina é pior
do que havia na Alemanha nazista", insiste Shoebat, acrescentando
que ódio aos judeus tomou conta da mídia, das artes,
até mesmo nas palavras cruzadas.
"
Eles dizem que odeiam Hitler porque ele nunca fez o serviço
por inteiro", disse ele. "É nazismo criado sob
uma fachada religiosa."
Nota:
1 – A edição King James da Bíblia é muito
popular nos Estados Unidos. É a versão utilizada
pela igreja anglicana.
* Stewart Ain é da equipe de editores do jornal “The
Jewish Week”, de Nova York. O presente artigo foi publicado
na edição de 12 de março de 2004. Tradução:
equipe de Visão Judaica.