Visão Judaica - Edição N° 23
:. O silêncio do mundo em relação a morte de muçulmanos .:


Por: Paul Marshall*

O "mapa de estrada" (roadmap) do Oriente Médio está sendo rasgado para a angústia de
Washington e do mundo. Mas as conversações de paz de Machakos, para que se acabe com a guerra civil no Sudão também estão confusas, e elas tratam de uma guerra civil que ceifou 2 milhões de vidas nos últimos 15 anos. A resposta para isto em Washington e do resto do mundo é o silêncio. Esta é a continuidade de um padrão no qual o conflito palestino-israelense, que apesar do seu total de mortos e feridos não estar no topo 10 dos conflitos atuais do mundo, recebe mais atenção internacional do que todos os outros juntos.
Um alto funcionário da delegação da Autoridade Palestina em Washington, neste verão, recomendou a intervenção norte-americana na Libéria, mas acrescentou que o assunto era secundário comparado à causa palestina. [Mas] mais liberianos do que palestinos foram mortos na última década, enquanto vários milhões morreram no Congo. O Grupo Islâmico Armado na Argélia assassinou mais de 100 mil muçulmanos na década passada. Na Chechênia, outras 100.000 pessoas, um décimo da população, foram assassinadas. No Afeganistão, o Talibã e os aliados da Al Qaeda mataram milhares de shias.
Na Mauritânia, dezenas de milhares de muçulmanos são escravos. Outras dezenas de milhares mais morreram no conflito da Cachemira e na Libéria, Costa de Marfim, e Serra Leoa. Milhares mais morreram na Nigéria e Indonésia. A junta birmanesa colocou para fora mais de um quarto de milhão de seus muçulmanos de Rohingya e na Índia, ano passado, cerca de 2.000 muçulmanos foram mortos em Gujarat. Ainda assim, estes acontecimentos são omitidos em silêncio. Enquanto isso, os perpetradores de muitas destas atrocidades sentam-se à ONU, condenando o que acontece na Margem Ocidental.
Também é fácil de discernir a manipulação cínica da questão [palestino-israelense] pelos estados autoritários [que o utilizam para] desviar a atenção de suas próprias políticas repressivas. Mas por que este conflito atrai multidões de ativistas que fazem dele a questão categórica do Oriente Médio e até mesmo da política mundial? Por que a pletora de conferências, comitês, demonstrações, boicotes e campanhas num nível que minimiza qualquer ação de protesto contra o sofrimento em escala maior? Talvez parte da resposta seja o anti-semitismo, talvez anti-americanismo. Mas, qualquer que seja a razão, não pode ser uma preocupação primária para os direitos humanos.
A colocação da questão Israel-Palestina acima de todas as outras tem vários efeitos danosos. Uma é de que aumenta a vituperação contra Israel. Também eleva as expectativas entre os palestinos e que são improváveis de acontecer. Finalmente, contribui para silenciar e a evasão sobre a opressão de outros muçulmanos, como também de outros povos no mundo. O efeito líquido é que tanto Israel como o mundo muçulmano sofrem mais.

* Paul Marshall é membro sênior da Casa da Liberdade do Centro para a Liberdade Religiosa. Este artigo foi publicado no jornal "The Boston Globe" em 13 de outubro de 2003.

 

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