Lag Ba’Ômer é o
33º dia da contagem do Ômer. É um dia semifestivo,
no meio do período do Ômer, que interrompe por um
dia o luto que marca o período. A partir deste dia, nos é permitido
cortar o cabelo, escutar música, realizar festas e cerimônias
de casamento.
Um dos motivos pelos quais o 33º dia é considerado alegre é justamente
porque, nesse dia, cessou a calamidade que se abatera sobre os alunos
do Rabi Akiva. Mas o que houve exatamente com os discípulos
do grande Rabi?
O Talmud, no tratado de Yevamot, conta que Rabi Akiva tinha 24 mil
alunos e que todos faleceram no mesmo período, entre Pêssach
e Lag Ba’Ômer, por não tratar com respeito os seus
semelhantes. Segundo R. Nachman, todos morreram por askera, morte por
asfixia. Sim, são 24 mil alunos! Não houve erro de digitação
no número acima. Não são 2.400, nem 240, são
exatamente 24 mil os alunos de Rabi Akiva e todos faleceram no mesmo
período – um episódio realmente triste e assustador!
O livro Iyun Yaacov, em seu comentário sobre o Talmud, analisa
os acontecimentos que ocorreram com os discípulos do Rabi Akiva
e o motivo pelo qual teriam sido punidos de maneira tão severa.
Desrespeitar o próximo é algo muito desprezível,
mas será que isto merece maciça condenação à morte?
De fato, nossos mestres nos ensinam que muitas vezes o falecimento
de um grande sábio e estudioso serve como expiação
para toda uma geração. Antes de qualquer coisa, vamos
analisar como aceitar tal afirmação. Obviamente não é algo
automático. O falecimento de um Tzadik deveria servir como forma
de inspiração para toda a sua geração,
para que cada pessoa refletisse e chegasse à seguinte conclusão: “Se
um sábio tão grande pode ser retirado do mundo, um sábio
cujos atos, sem sombra de dúvida, são melhores do que
os meus, cujo compromisso com D-us e seus mandamentos é mais
firme do que o meu, cujo conhecimento da Torá é mais
vasto do que o meu, o que dizer então de uma simples pessoa
com eu?” Este despertar irá inspirar a Nação
no sentido do arrependimento e só assim será concluído
o processo da expiação.
Na época de Rabi Akiva, seus discípulos eram os maiores
sábios de sua geração. Não eram somente
alunos do maior erudito da época; eles próprios eram
também grandes sábios. O Talmud conta que o mundo ficou
vazio e desprovido de sabedoria e conhecimento da Torá após
o falecimento dos alunos de Rabi Akiva.
Mas, como vimos antes, o Talmud relata que os discípulos de
Rabi Akiva tinham uma falha. Não tratavam com respeito uns aos
outros, nenhum considerava o outro como “mais importante e especial”.
Analisemos, pois, o que pode ter ocorrido. Quando o primeiro deles
faleceu, todos os outros devem ter pensado: “Que tragédia,
um grande sábio morreu!” Os discípulos devem ter-se
dado conta de que eles, também, assim como o colega poderiam
abandonar este mundo a qualquer momento. Isto lhes deveria ter provocado
uma introspecção. Porém, eles não tiveram
qualquer tipo de inspiração positiva, pois não
consideravam os outros colegas como “alguém mais importante
e especial”.
Por isso, os discípulos foram punidos e, mais ainda, não
tiveram chance nem oportunidade de retificar o erro inicial. Como eram
grandes eruditos, sua queda foi proporcional a sua grandeza. Eles faleceram “porque
não se respeitavam entre si”. O grande Maharal de Praga,
ao analisar a tragédia, explica que esta ocorreu justamente
na primavera e não em outra estação do ano, pois
na primavera o clima é bastante agradável. É o
clima ideal para a saúde e para a conservação
do bem-estar do ser humano. Mesmo assim, todos perderam a vida, nessa época,
para que ficasse claro que o que ocorreu foi uma punição
e não algo causado pelo clima ou pela natureza. Este também
teria sido o motivo para morrerem vitimados pela doença “askera”,
um tipo de asfixia, como vimos acima.
Existe uma análise mais profunda de todo o episódio.
Contudo, para nós, a lição continua sendo a mesma;
porém, de forma ainda mais forte e óbvia. (Revista Morashá -
Edição 36 - Março de 2002).