Neste mês estamos comemorando Iom Haatzmaut — o dia da Independência
de Israel. Uma data cuja significância para o povo judeu extrapola
qualquer sentimento nacional, pois representa a concretização
de sonho que durante mais de dois mil anos embalava a esperança de
geração após geração: o retorno a Erertz
Yisrael. Neste ano, o evento tem maior relevância porque registra o
centenário da morte de Theodor Herzl, o pai do sionismo moderno. O
sonho tornou-se realidade há 56 anos atrás com a Declaração
da Independência promulgada por David Ben Gurion, colocando um fim
ao exílio de 20 séculos dos judeus arrancados de sua terra
e privados da visão dourada da cidade santa de Jerusalém. E
o Brasil tem participação nisso, pois foi pelas mãos
do gaúcho Oswaldo Aranha que a Assembléia Geral da ONU tornou
possível aquele sonho.
Não sem razão, um dia antes em Israel, e em todo o mundo, os
judeus reverenciam o Iom Hazicaron, data consagrada à memória
daqueles que tombaram defendendo Israel com seus próprios corpos.
A jovem nação foi a única no mundo a enfrentar uma guerra
em seu primeiro dia de vida, sofrendo um ataque dos principais países árabes.
Esses heróis, que somavam um por cento da população
de Israel hoje fazem parte da história e por isso são e devem
ser recordados.
Desde então, em busca da paz, o país tem sido alvo freqüente
de ataques e atentados mortais e destrutivos, com o intuito de intimidar
seus habitantes e impedir-lhes a tranqüilidade. No âmbito externo,
uma bem azeitada máquina de propaganda, envolvendo a imprensa européia
e norte-americana e a própria ONU, foi estruturada para condenar Israel
a cada ação defensiva realizada, chegando-se ao absurdo de
negar-lhe até mesmo o direito de existência.
O processo de desinformação ficou patente dias atrás,
quando o presidente dos EUA, George W. Bush, manifestou apoio à decisão
israelense já manifestada de retirar-se da Faixa de Gaza e à criação
do estado palestino. A versão divulgada pela imprensa foi a de que
Bush apoiava a manutenção dos maiores assentamentos judaicos
na Cisjordânia e entendia que os refugiados palestinos tinham o direito
de retornar para esse futuro Estado. Yasser Arafat, em seguida, ameaçou
com o fim do processo de paz. Que outra coisa se poderia esperar de quem
recusou tudo que lhe foi ofertado em 2000, por Barak, inclusive a Cisjordânia,
iniciando a violência?
Os tentáculos dessa bem lubrificada máquina de propaganda chegaram
a Curitiba. O vereador Paulo Salamuni trombeteia ter conseguido 300 assinaturas
num abaixo-assinado contra o “muro” em construção
pelos israelenses para conter atentados suicidas e salvar vidas.
Antes que mal interpretem, vamos aqui deixar claro, mais uma vez, que este
jornal — assim como a maioria dos judeus em todo o mundo — é favorável
e apóia a criação de um Estado palestino que conviva
pacificamente ao lado de Israel. Mas não podem concordar com um Estado
palestino no lugar de Israel. Deixemos de lado o “faz-de-conta”.
A realidade é que os Estatutos da OLP proclamam a destruição
do Estado de Israel; o Estatuto do Hamas, diz isso com todas as letras e
o terceiro anteprojeto de Constituição para o futuro Estado
palestino, diz isso também.
Trezentas assinaturas num abaixo-assinado que, em última análise, é solidário à tentativa
da destruição de Israel, convenhamos, é muito pouco,
comparado ao número de mortos, mutilados e feridos provocados pelos
atentados terroristas palestinos. Faria melhor ele, se as assinaturas colhidas
fossem contra os livros escolares árabes que incitam o ódio
aos judeus. Quando a paz vier, a cerca — só 3% dela é muro — não
terá mais porque existir e cairá.
A Redação