Visão Judaica - Edição N° 23
:. Há 56 anos renascia Israel após 20 séculos de esperança .:


Neste mês estamos comemorando Iom Haatzmaut — o dia da Independência de Israel. Uma data cuja significância para o povo judeu extrapola qualquer sentimento nacional, pois representa a concretização de sonho que durante mais de dois mil anos embalava a esperança de geração após geração: o retorno a Erertz Yisrael. Neste ano, o evento tem maior relevância porque registra o centenário da morte de Theodor Herzl, o pai do sionismo moderno. O sonho tornou-se realidade há 56 anos atrás com a Declaração da Independência promulgada por David Ben Gurion, colocando um fim ao exílio de 20 séculos dos judeus arrancados de sua terra e privados da visão dourada da cidade santa de Jerusalém. E o Brasil tem participação nisso, pois foi pelas mãos do gaúcho Oswaldo Aranha que a Assembléia Geral da ONU tornou possível aquele sonho.
Não sem razão, um dia antes em Israel, e em todo o mundo, os judeus reverenciam o Iom Hazicaron, data consagrada à memória daqueles que tombaram defendendo Israel com seus próprios corpos. A jovem nação foi a única no mundo a enfrentar uma guerra em seu primeiro dia de vida, sofrendo um ataque dos principais países árabes. Esses heróis, que somavam um por cento da população de Israel hoje fazem parte da história e por isso são e devem ser recordados.
Desde então, em busca da paz, o país tem sido alvo freqüente de ataques e atentados mortais e destrutivos, com o intuito de intimidar seus habitantes e impedir-lhes a tranqüilidade. No âmbito externo, uma bem azeitada máquina de propaganda, envolvendo a imprensa européia e norte-americana e a própria ONU, foi estruturada para condenar Israel a cada ação defensiva realizada, chegando-se ao absurdo de negar-lhe até mesmo o direito de existência.
O processo de desinformação ficou patente dias atrás, quando o presidente dos EUA, George W. Bush, manifestou apoio à decisão israelense já manifestada de retirar-se da Faixa de Gaza e à criação do estado palestino. A versão divulgada pela imprensa foi a de que Bush apoiava a manutenção dos maiores assentamentos judaicos na Cisjordânia e entendia que os refugiados palestinos tinham o direito de retornar para esse futuro Estado. Yasser Arafat, em seguida, ameaçou com o fim do processo de paz. Que outra coisa se poderia esperar de quem recusou tudo que lhe foi ofertado em 2000, por Barak, inclusive a Cisjordânia, iniciando a violência?
Os tentáculos dessa bem lubrificada máquina de propaganda chegaram a Curitiba. O vereador Paulo Salamuni trombeteia ter conseguido 300 assinaturas num abaixo-assinado contra o “muro” em construção pelos israelenses para conter atentados suicidas e salvar vidas.
Antes que mal interpretem, vamos aqui deixar claro, mais uma vez, que este jornal — assim como a maioria dos judeus em todo o mundo — é favorável e apóia a criação de um Estado palestino que conviva pacificamente ao lado de Israel. Mas não podem concordar com um Estado palestino no lugar de Israel. Deixemos de lado o “faz-de-conta”. A realidade é que os Estatutos da OLP proclamam a destruição do Estado de Israel; o Estatuto do Hamas, diz isso com todas as letras e o terceiro anteprojeto de Constituição para o futuro Estado palestino, diz isso também.
Trezentas assinaturas num abaixo-assinado que, em última análise, é solidário à tentativa da destruição de Israel, convenhamos, é muito pouco, comparado ao número de mortos, mutilados e feridos provocados pelos atentados terroristas palestinos. Faria melhor ele, se as assinaturas colhidas fossem contra os livros escolares árabes que incitam o ódio aos judeus. Quando a paz vier, a cerca — só 3% dela é muro — não terá mais porque existir e cairá.
A Redação

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