Visão Judaica - Edição N° 23
:. Arafat desvia milhões para conta pessoal .:



Por: David Blair e Ambrose Evans-Pritchard *

Yasser Arafat desviou 560 milhões de libras esterlinas do orçamento da Autoridade Palestina para uma conta especial sob seu controle pessoal, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A descoberta enfureceu seus críticos palestinos e provocou a Comissão Européia, uma generosa agência financiadora, a exigir explicações do FMI a respeito de que fundos teriam sido desviados.
A administração caótica das finanças palestinas por Arafat já tinha sido amplamente condenada no passado pelo FMI, como resultado de acuradas investigações. O representante do FMI nas áreas sob administração palestina, Karim Nashashibi, disse aos jornalistas em Dubai que a auditoria descobrira "o desvio de algumas rendas do orçamento para uma conta bancária especial controlada pelo Presidente Arafat". Nashashibi disse que a soma envolvia £560 milhões, num período de cinco anos, entre 1995 e 2000. A maior parte foi investida em 69 empresas comerciais ligadas à Autoridade Palestina. Perguntado se poderia ter havido mau uso desses fundos, Nashashibi disse: "Em qualquer sistema sempre existe a possibilidade de algum mau uso. O que estamos tentando fazer é levantar o nível de desvio e de transparência, para que o ocorrido não se repita no futuro".
Hanam Ashrawi, membro do Conselho Legislativo Palestino, disse que a descoberta só servia para desacreditar Arafat. "Não há nenhuma coincidência quanto ao timing" disse ela, "é uma campanha contra o Presidente e a Autoridade [Palestina]". Mas os oponentes palestinos de Arafat acreditam que a corrupção está disseminada em sua administração. Abdul Jawal Saleh, também membro Conselho, disse: "No momento em que o povo palestino está passando fome e as universidades estão falidas, ele desvia essas quantias enormes de dinheiro". Segundo a Autoridade Palestina, o desvio de dinheiro veio à luz em função das reformas financeiras e da rigorosa auditoria a que foi submetida por doadores internacionais.
Salam Fayad, o novo ministro das Finanças, muito respeitado no exterior, disse que o dinheiro provém dos impostos coletados por Israel e repassados para a Autoridade Palestina. A União Européia interrompeu o financiamento a Arafat desde dezembro. Um porta-voz disse que a Comissão estava em estreito contato com o FMI. "Até onde sabemos, este dinheiro procede de transferências de impostos de Israel para a Autoridade Palestina, mas estamos tentando clarificar o assunto junto ao FMI. Nosso dinheiro nunca foi incluído no orçamento".
Incluindo desde cassinos até companhias de cimento e de telefones da Argélia, a Autoridade Palestina fez uma mistura tão confusa que evitou o estudo mais acurado da conta bancária. A administração caótica de Arafat se orgulha de ter investido 30% do total do Cassino de Jericó. O monopólio estatal do suprimento de petróleo cru, cimento e tabaco nas áreas sob administração palestina permitem um fluxo constante de impostos. A administração pode ter um orçamento de apenas £750 milhões neste ano, mas emprega 120.000 pessoas e tem dificuldade de responder pelas modestas somas à sua disposição.
Arafat poderá levantar somente £130 milhões de seus próprios recursos, pois seu orçamento depende de doações internacionais e de impostos transferidos de Israel.
Ele sempre considerou o controle pessoal de fundos públicos algo crucial para a sua manutenção do poder.

* David Blair e Ambrose Evans-Pritchard são jornalistas correspondentes do jornal londrino Daily Telegraph, respectivamente em Jerusalém e em Bruxelas. Publicado no Daily Telegraph em 25 de setembro de 2003 e no site Mídia Sem Máscara em 29 de setembro de 2003. Tradução: Heitor De Paola

 

 


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