Visão Judaica - Edição N° 23
:. 56 anos de luta - A história do Estado de Israel .:

Independência
O Estado de Israel foi proclamado no dia 14 de maio de 1948, de acordo com o plano de partilha da ONU de 1947. Menos de 24 horas depois, os exércitos regulares do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, forçando Israel a defender a soberania que acabara de reconquistar em sua pátria ancestral. Nesta luta - conhecida como a Guerra de Independência de Israel - as recém-formadas Forças de Defesa de Israel (FDI), pobremente equipadas, rechaçaram os invasores em lutas ferozes e intermitentes, que se prolongaram por 15 meses, e custaram a vida de 6.000 israelenses (quase 1% da população judaica no país na época).

Linhas do armistício
No transcurso dos primeiros meses de 1949, realizaram-se negociações diretas, sob os auspícios da ONU, entre Israel e cada um dos países invasores (exceto o Iraque, que se recusou a negociar com Israel até hoje); o resultado foi a assinatura de acordos de armistício, que refletiam as posições no final dos combates. Em conseqüência, a planície costeira, a Galiléia e todo o Neguev ficaram sob soberania israelense, a Judéia e a Samaria (a Margem Ocidental) ficaram sob o domínio da Jordânia e a Faixa de Gaza, sob administração egípcia; a cidade de Jerusalém ficou dividida, cabendo à Jordânia o controle da parte oriental, inclusive a Cidade Velha, e a Israel, o setor ocidental da cidade.

A Construção do Estado
Com o fim da guerra, Israel concentrou seus esforços na construção do Estado pelo qual o povo tinha lutado tão longa e arduamente. O primeiro Knesset (parlamento) de 120 assentos entrou em funcionamento após as eleições nacionais (25 de janeiro de 1949), com a participação de quase 85% dos eleitores. Duas figuras que haviam conduzido Israel à independência tornaram-se os líderes do país: David Ben Gurion, presidente da Agência Judaica, foi eleito primeiro ministro; e Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial, foi o primeiro presidente eleito. Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59º membro das Nações Unidas.
Israel abriu suas portas confirmando o direito de cada judeu a se estabelecer e à cidadania. Nos primeiros quatro meses chegaram cerca de 50 mil imigrantes, em sua maioria sobreviventes do Holocausto. No final de 1951, já havia cerca de 687.000 pessoas, homens, mulheres e crianças, dentre os quais 300 mil refugiados dos países árabes; a população judaica do país duplicara no prazo de quatro anos. Quando Israel celebrou seu 10º aniversário, a população ultrapassava os 2 milhões de habitantes.

1956 - a campanha do Sinai
Apesar de tudo, os anos de construção nacional foram obscurecidos por sérios problemas de segurança. Os acordos de armistício de 1949 não só haviam fracassado em pavimentar o caminho para a paz; eram também constantemente violados. Contrariando a resolução do Conselho de Segurança da ONU de 14 de setembro de 1951, os navios israelenses e aqueles com destino a Israel eram impedidos de passar pelo Canal de Suez; o bloqueio ao Estreito de Tiran foi reforçado; incursões de grupos terroristas provenientes dos países árabes vizinhos ao território de Israel, vindos para matar e sabotar, eram cada vez mais freqüentes; e a península do Sinai convertia-se gradualmente numa imensa base militar egípcia.
Com a assinatura de uma aliança militar tripartite entre o Egito, a Síria e a Jordânia (outubro de 1956) a ameaça à existência de Israel tornou-se mais iminente. No curso de uma campanha militar de oito dias, as FDI capturaram a Faixa de Gaza e toda a península do Sinai, detendo-se a 16 km a leste do Canal de Suez. A decisão da ONU de enviar uma Força de Emergência ao longo da fronteira Egito-Israel e garantias egípcias de permitir a livre navegação no Golfo de Eilat levaram Israel a concordar em retirar-se em etapas (novembro de 1956 - março de 1957) das áreas conquistadas poucas semanas antes..

1967 - a Guerra dos Seis Dias
As esperanças por mais uma década de relativa tranqüilidade se desvaneceram, com a escalada dos ataques terroristas árabes através das fronteiras com o Egito e a Jordânia, o persistente bombardeamento dos núcleos populacionais do norte da Galiléia pela artilharia síria e os massivos preparativos militares dos estados árabes vizinhos. Quando o Egito novamente deslocou um grande número de tropas para o deserto do Sinai (maio de 1967), ordenou que as forças de manutenção de paz da ONU (aí estacionadas desde 1957) se retirassem da área, reimpôs o bloqueio do Estreito de Tiran e fez uma aliança militar com a Jordânia, Israel viu-se diante de exércitos árabes hostis em todas as frentes. Como o Egito violara os acordos alcançados após a Campanha de Sinai de 1956, Israel invocou seu direito inerente de autodefesa e desencadeou um ataque preventivo contra o Egito, no sul, (5 de junho de 1967), seguido por um contra-ataque à Jordânia, no leste e a expulsão das forças sírias entrincheiradas no planalto do Golan, ao norte.
Ao fim de seis dias de combates, as antigas linhas de cessar-fogo tinham sido substituídas por novas; a Judéia, a Samaria, Gaza, a península do Sinai e o planalto do Golan estavam agora sob o controle de Israel. Os núcleos populacionais do norte do país ficavam livres do bombardeamento sírio, que durara 19 anos; a passagem de navios israelenses e com destino a Israel, através do Estreito de Tiran estava assegurada; e Jerusalém, que estivera dividida entre Israel e Jordânia desde 1949, foi reunificada sob a autoridade de Israel.

Entre duas Guerras
Terminada a guerra, o desafio diplomático de Israel era traduzir suas vitórias militares em paz permanente, baseando-se na resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU que apelava pelo "reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de todos os estados da região e de seu direito de viver em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças ou atos de força". A posição árabe, contudo, conforme formulada na Conferência de Cúpula de Cartum (agosto de 1967) era "não à paz com Israel, não a negociações com Israel e não ao reconhecimento de Israel". Em setembro de 1968, o Egito iniciou uma "guerra de desgate", com ações esporádicas e estáticas ao longo das margens do Canal de Suez, que se transformaram em combates de grande escala, causando pesadas perdas a ambos os lados. As hostilidades cessaram em 1970, quando o Egito e Israel aceitaram um novo cessar-fogo ao longo do Canal de Suez.

1973 - a Guerra de Iom Kipur
Três anos de relativa calma ao longo das fronteiras terminaram no Iom Kipur (Dia da Expiação), o dia mais sagrado do calendário judaico, quando o Egito e a Síria lançaram um ataque de surpresa coordenado contra Israel (6 de outubro de 1973): o exército egípcio atravessou o Canal de Suez e as tropas sírias invadiram o planalto do Golan. Durante as três semanas seguintes, as Forças de Defesa de Israel mudaram o rumo da batalha e repeliram os atacantes, atravessando o Canal de Suez, e penetrando no Egito, ao mesmo tempo em que avançavam até 32 km de distância de Damasco, capital da Síria. Dois anos de difíceis negociações entre Israel e o Egito e entre Israel e a Síria resultaram em acordos de separação de tropas, pelos quais Israel se retirou de parte dos territórios conquistados na guerra.

Da guerra à paz
O círculo vicioso da rejeição por parte dos árabes a todos os apelos de paz de Israel foi rompido com a visita do presidente egípcio Anwar Sadat a Jerusalém (novembro de 1977), à qual se seguiram negociações entre o Egito e Israel, sob os auspícios dos EUA, e que culminaram com os acordos de Camp David (setembro de 1978). Tais acordos continham as linhas gerais para um acordo de paz abrangente no Oriente Médio, inclusive uma proposta detalhada de autogoverno para os palestinos. Em 26 de março de 1979, Israel e o Egito assinaram um tratado de paz em Washington, que trouxe o fim aos 30 anos de estado de guerra entre os dois países.
De acordo com os termos do tratado, Israel retirou-se da península do Sinai, substituindo as antigas linhas de cessar-fogo e acordos de armistício por fronteiras internacionais mutuamente reconhecidas.

1982 - Operação Paz para a Galiléia
A fronteira internacional com o Líbano jamais foi questionada por nenhuma das partes. Contudo, quando a Organização de Libertação da Palestina (OLP) se instalou no sul do Líbano, após ter sido expulsa da Jordânia (1970), passando a perpetrar repetidas ações terroristas contra as cidades e colônias agrícolas do norte de Israel (Galiléia), causando danos físicos e materiais, as Forças de Defesa de Israel cruzaram a fronteira e entraram no Líbano (1982). A "Operação Paz para a Galiléia" conseguiu remover a maior parte da infra-estrutura organizacional e militar da OLP para fora da região. Desde então, Israel mantém uma pequena zona de segurança no sul do Líbano, adjacente à sua fronteira setentrional, para salvaguardar a população da Galiléia contra os constantes ataques de elementos hostis.
Desafios internos
O governo que subiu ao poder após as eleições de 1984 para o Knesset se compunha dos dois principais partidos políticos - o Trabalhista (centro/esquerda) e o Likud (centro/direita). Este foi substituído, em 1988, por uma coalizão encabeçada pelo Likud à qual, após o período de governo de quatro anos, seguiu-se em 1992 uma coalizão trabalhista e de outros pequenos partidos de esquerda. Durante estes anos, cada um dos governos trabalhou pela consecução da paz, de acordo com suas próprias convicções políticas.

Rumo à paz na região
Desde a assinatura do tratado de paz Egito-Israel (1979), várias iniciativas foram apresentadas, por Israel e outros, com o objetivo de promover o processo de paz no Oriente Médio. Tais esforços levaram à reunião da Conferência de Paz de Madrid (outubro de 1991), realizada sob os auspícios dos Estados Unidos e União Soviética, que reuniu representantes de Israel, da Síria, do Líbano, da Jordânia e dos palestinos. Os procedimentos formais foram seguidos de negociações bilaterais entre as partes e por conversações multilaterais tratando de problemas regionais.
Conversações bilaterais
Após meses de intensivos contatos secretos em Oslo entre negociadores de Israel e da Organização de Libertação da Palestina (OLP), foi formulada uma Declaração de Princípios, onde foram delineados os arranjos para o autogoverno dos palestinos na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza. Sua assinatura foi precedida por uma troca de cartas (setembro de 1993) entre o líder da OLP Yasser Arafat e o primeiro ministro Yitzhak Rabin, nas quais a OLP renunciava ao uso do terrorismo, comprometia-se a invalidar os artigos de sua Carta que negam o direito de Israel à existência, e se comprometia a uma solução pacífica do conflito territorial de tantas décadas entre palestinos e judeus. Por sua parte, Israel reconhecia a OLP como representante do povo palestino.
Assinada por Israel e a OLP em setembro de 1993 em Washington, a Declaração de Princípios contém um conjunto de princípios gerais mutuamente acordados sobre um período interino de cinco anos de autogoverno palestino, a ser implantado em quatro etapas. O primeiro passo, estabelecendo o autogoverno na Faixa de Gaza e na área de Jericó, ocorreu em maio de 1994. Em agosto do mesmo ano foi introduzida a segunda etapa, que envolvia a transferência de poderes e responsabilidades aos representantes palestinos na Margem Ocidental em cinco esferas específicas - educação e cultura, saúde, bem-estar social, impostos e turismo. O Acordo Interino Israelense-Palestino de setembro de 1995, que constitui a terceira etapa, ampliou o autogoverno palestino na Margem Ocidental através da eleição de uma autoridade autônoma - o Conselho Palestino - a fim de permitir aos palestinos a condução de seus assuntos internos.
A última etapa - negociações entre as partes sobre os arranjos para o status final - iniciaram-se de acordo com o que estava previsto em maio de 1996. Tais conversações determinarão a natureza permanente das disposições, cobrindo assuntos pendentes que incluem: os refugiados, os assentamentos, segurança, fronteiras e Jerusalém.
Três anos de conversações entre a Jordânia e Israel, após a Conferência de Madrid, culminaram com uma declaração do rei Hussein e do primeiro-ministro Yitzhak Rabin (julho de 1994), pondo fim ao estado de guerra de 46 anos entre os dois países. O tratado de paz Jordânia-Israel foi assinado no posto fronteiriço do Aravá (perto de Eilat, em Israel, e Ácaba, na Jordânia) no dia 26 de outubro de 1994, na presença do residente americano Bill Clinton.

 


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