Primeiro foi o bispo inglês Richard Williamson, um excomungado que recebera o perdão do Papa Bento XVI. Semanas antes, em entrevista a um canal de TV da Suécia, sua reverendíssima com a maior “cara-de-pau” negou o Holocausto e a existência das câmaras de gás nos campos de morte nazistas. Causou um rebuliço internacional e, primeiro disse que não se retratava, mas depois de chamado às falas pelo Vaticano, que ameaçou cancelar o perdão, pediu desculpas a quem se sentiu ofendido por suas palavras, mas não voltou atrás. Disse que precisava pesquisar e que isso ia demorar. Como conseqüência, foi expulso da Argentina, onde dirigia um seminário teológico.
Em seguida, foi a vez do arcebispo brasileiro de Olinda e Recife, D. José Cardoso Sobrinho. No meio de um rumoroso caso da menina de nove anos de idade, estuprada pelo padrasto, que a engravidou de gêmeos, e teve que passar por aborto, pois sua vida estava em perigo, causando assim a reação do prelado nordestino. Ele excomungou os médicos e a mãe da menina, mas não o agressor! Não parou aí. Em entrevista à revista Veja, ele afirmou a certa altura: “Quero lembrar o que aconteceu na II Guerra Mundial. Hitler, aquele ditador, queria eliminar o povo judaico e dizem que ele chegou a matar 6 milhões de judeus”. Como assim, cara-pálida “dizem que chegou a matar?”. Em outras palavras, esse arcebispo também não crê na morte de 6 milhões de judeus, já que utilizou a expressão “dizem que...”
E para confrontar o Nordeste, o Sul não poderia ficar atrás. O arcebispo de Porto Alegre, Dadeus Grings, que na década de 90 já criara caso ao afirmar que só morreram no Holocausto um milhão de judeus, e tornou a publicar isso em artigo em 2003, voltou à carga ao afirmar à revista Press & Advertising, que os católicos e ciganos foram mais sacrificados que os judeus na II Guerra Mundial, “mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo”. A Federação Israelita do Rio Grande do Sul divulgou nota repudiando as declarações. Depois, em entrevista ao jornal Zero Hora, Grings tentou mitigar e o caso acabou no Ministério Público, de onde o arcebispo e a Federação Israelita saíram reafirmando a importância e necessidade do diálogo interreligioso e da ampla liberdade e respeito entre todos os grupos. Será mera coincidência todos esses episódios de negação do Holocausto por religiosos da Igreja Católica? Ou há algo mais? Questão a observar.
Mudando de assunto, agora é oficial. As denúncias de que soldados israelenses mataram civis sob as ordens de oficiais foram comprovadas como inexistentes, mentirosas e fraudulentas. Não foi possível encontrar ninguém que confirmasse. E no momento que acharam uma das civis “assassinadas” viva, e não foi levantada prova alguma do que foi publicado num jornal israelense de esquerda, o Haaretz, e que virou, lamentavelmente “prato cheio” da imprensa internacional, especialmente a que costuma detratar Israel, a investigação foi concluída e as denúncias consideradas falsas. Mas isso, a mídia denunciante não se preocupou em relatar.
Não é a primeira vez que acontece. O correspondente do canal France 2 em Israel, Charles Enderlin, não foi para a cadeia por ter endossado a fabricação de um cinegrafista de Gaza (o "assassinato" de Mohammed Al-Dura por parte do exército israelense). Enderlin divulgou a informação falsa por todo o mundo, com "indignação moral" e causou várias mortes. O mesmo acontece agora em relação a Danny Zamir e os jornalistas do Haaretz, que certamente também não irão para a cadeia apesar de tamanha irresponsabilidade e falta de ética jornalística.
A Redação