As supostas atitudes do Exército de Israel são denúncias infundadas


Procuradoria Militar fecha caso sobre falsos assassinatos na ofensiva de Gaza

A Procuradoria Militar encerrou a investigação de uma série de supostos casos de assassinato de palestinos por parte de soldados israelenses durante a ofensiva que Israel levou a cabo em Gaza em dezembro e janeiro passados.
O Exército informou que o procurador militar, Avi Mendelblit, encerrou o caso ao concluir, após uma investigação da Polícia Militar, que não há provas delitivas nos relatos que foram denunciados e que os soldados que prestaram testemunhos não eram testemunhas diretas.
Na ofensiva israelense teriam morrido 1.400 palestinos, em sua maioria terroristas, mas também civis, e menores. Em Israel o “escândalo” estourou há duas semanas quando o Haaretz, um jornal esquerdista da imprensa israelense expôs os testemunhos de vários soldados e oficiais durante uma conferência para cadetes de uma academia de preparação militar.
Segundo esses testemunhos, um comandante de companhia "ordenou que se disparasse e matasse uma anciã palestina que caminhava por uma estrada a cem metros da casa que a companhia tinha tomado", o que foi qualificado de "assassinato a sangue frio".
Outro soldado disse que, depois um chefe de unidade discutiu com seu comandante sobre a permissividade do código de atuação e este fora mudado, outros militares do mesmo nível se queixaram e disseram que "deveríamos matar todos aqui (no centro de Gaza). Todos aqui são terroristas".
Mendelblitt assegura que a investigação aponta que estes e outros relatos foram recolhidos de terceiros, e que nenhum dos que disseram forma testemunhas presenciais.
"Aviv (nome de um dos soldados que falou dos fatos) esclareceu que ele não os tinha visto, mas que havia escutado sobre eles" de outras pessoas, escreveu o procurador militar em seu informe aos altos mandos do Exército.
Segundo este, os testemunhos foram estudados até chegar à conclusão de que todos falavam dos dois mesmos casos: a ordem de matar uma mulher palestina de idade adulta e o assassinato de uma mãe e seus dois filhos que iam pela rua.
No primeiro caso os investigadores concluíram que se tratava de um caso já investigado com anterioridade, e no qual soldados dispararam contra uma mulher que se aproximou algumas dezenas de metros das forças militares israelenses e quem tinham advertido de que não o fizesse por temor de que se tratasse de uma terrorista suicida. A mulher não morreu e está viva.
No segundo caso, sempre de acordo com os investigadores militares, os soldados abriram fogo contra dois homens que consideraram suspeitos, num caso que o procurador não considera que se tenha cometido delito.
"Temos que lamentar que nenhum dos que falaram tomaram as necessárias precauções ao expor os fatos e o que os soldados escolheram apresentar situações tão graves apesar de não ter nenhum conhecimento direto do caso", assinala o relatório do procurador militar israelense.