Quem matou Annapolis? 

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman fez uma entrada tempestuosa. O "extremista-nacionalista" (para a BBC e al-Jazeera); é "bruto e beligerante" (The New York Times); "agressivo" (Haaretz) e um "racista" (Yasser Abed Rabbo). Este governo novo não fará "nenhuma concessão para paz" (The Guardian) e rejeita o "processo de paz” (a CNN). Por que o alvoroço? Porque Lieberman anunciou: "O governo israelense nunca ratificou o acordo de Annapolis”.  
Ahã! De fato, o gabinete endossou Annapolis no dia 2 de dezembro de 2007. Ehud Olmert passou isto aos seus colegas com o argumento de que as negociações não seriam constrangidas por qualquer prazo final, e com a promessa de que, se a um acordo fosse chegado, isso só seria implementado depois que os palestinos parassem com toda a violência. Reservadamente, antes do endosso do gabinete, Olmert fez o resumo de Lieberman; quem então se absteve de votar.  
Mas o fato é que Annapolis está morto — da mesma maneira que Lieberman tão anti-diplomaticamente o declarou. E todo mundo sabe isto. Morreu quando Mahmoud Abbas e Ahmed Qurei rejeitaram a oferta de Olmert e de Tzipi Livni, no ano passado, de virtualmente a Margem Ocidental inteira (os palestinos já têm Gaza), mais áreas do Negev para compensar assentamentos estratégicos retidos além da Linha Verde.  
Olmert e Livni ofereceram até mesmo um gerenciamento internacional para os lugares santos, e estavam preparados para entregar Jerusalém Oriental. Um túnel ou ponte conectaria o leste e a "Palestina" ocidental, provendo proximidade entre a Margem Ocidental e Gaza.  
O governo do Kadima só evitou uma retirada total às Linhas do Armistício de 1949, e em conceder a milhões de "refugiados" palestinos o direito de "voltar" para um Israel mutilado — algo que iria demograficamente sufocar a população judaica.  
Em outras palavras, se os palestinos tivessem aceitado o acordo incrivelmente magnânimo de Olmert e Livni, a Palestina teria se tornado o 22º Estado árabe muçulmano do Oriente Médio.  
Ainda, o irascível caminho que Lieberman fez para o seu anúncio sobre Annapolis diminuído da substância do que o argumento de Israel deveria ser. Se ele tivesse se controlado mais, tido habilidade, as manchetes do dia seguinte poderiam ter sido: “Novo governo abraça ‘Mapa da Estrada’". Porque Lieberman se empenhou num compromisso que oficialmente é conhecido como “o desempenho baseado no Mapa da Estrada para uma solução permanente de dois estados para o conflito Israel-Palestina”.  
O processo de Annapolis foi uma punhalada no salto para a frente sobre o ‘Mapa da Estrada’ porque os palestinos não puderam — ou não quiseram — cumprir a sua obrigação de terminar com a violência. E a comunidade internacional preferiu a ilusão do impulso que Annapolis proveu. A alternativa teria sido conceder isso até mesmo aos palestinos "moderados" que não estão preparados para levar a cabo o duro trabalho necessário alcançar uma solução de dois Estados.  
Lieberman está convencido de que toda a doce conversa de Olmert e Livni não atingiu em Israel precisamente em parte alguma. Assim, significativamente, o governo de Netanyahu-Lieberman-Barak está comprometido em alcançar um estado palestino através do ‘Mapa da Estrada’. O que precisa ser trabalhado agora é se os palestinos permanecem comprometidos, e se devem ser dados os passos para implementar o ‘Mapa de Estrada’ consecutivamente (a visão israelense), ou de algum outro modo indefinido (a visão palestina).  
O ‘Mapa da Estrada’ estipula que, "uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino só será alcançada pelo fim da violência e do terrorismo, quando o povo palestino tiver uma liderança agindo decisivamente contra o terror, disposta e capaz de construir uma democracia baseada na tolerância e na liberdade, e pela prontidão de Israel em fazer o que for necessário para que um estado palestino democrático seja estabelecido…".  
Isso exigiria que Israel congelasse os assentamentos e desmantelasse os que foram estabelecidos desde fevereiro de 2001.  
Isso é o que Lieberman apóia. O que poderia ser mais claro?  
A fala de Lieberman veio justo quando Israel enterra outra vítima do terror palestino, Shlomo Nativ, de 16 anos de idade, golpeado até a morte em Bat Ayin, um assentamento a sudoeste de Jerusalém. É este tipo de brutalidade palestina — combinado com obstinada diplomacia — que mantém o ‘Mapa da Estrada’ fundamentado.  
Falando duro ao invés de falar elegantemente, Lieberman reivindicou que ganhou "respeito". Na realidade, ele deu um ganho desnecessário àqueles que deturpam a posição de Israel argumentando que bloqueia a criação de um Estado palestino.  
Esta foi uma ação inepta do nosso novato ministro do Exterior, sem questão.
Não obstante, Annapolis se tornou há pouco outra nota de rodapé na história de 100 anos do rejeicionismo palestino. (Editorial publicado dia 2/4/2009 no jornal israelense The Jerusalem Post. Tradução: Szyja Lorber).