Lembra-se da recente caricatura ultrajante para os judeus, de Oliphant1, que apareceu nos jornais The New York Times e Washington Post semana atrás? Barry Rubin disse que era "caricatura da reminiscência da propaganda árabe” pelo modo com que retratou Israel, como de natureza má e um mal irremediável, que não merecia existir.
Bem, adivinhe só — o Hezbolá também pensa assim, e observa Rubin que a charge foi colocada em um lugar de honra no website da televisão do Hezbolá, com a legenda "sionismo nazista".
A fúria popular que está sendo lançada contra Israel, seu exército e seus líderes nos últimos meses é um fenômeno da psicologia de massa que ainda será estudado por futuros cientistas sociais. Embora tenha havido campanhas semelhantes ao longo dos séculos (Carthago delenda est!, "Lembre-se do Maine!", etc.), o poder da mídia em induzir histéricos desejos de sangue nestes dias de Internet e canais de TV mundiais via satélite, cresceu sob as ordens da magnitude desde Catão, o orador dos anciões e os jornais de Hearst.
Esta pode ser a primeira vez, entretanto, que a grande mídia pertencente à vítima de uma campanha de desumanização fez o melhor de si para prover de munição os seus inimigos. É como se os mais importantes jornais da Alemanha em 1914 publicassem artigos com manchetes como "O huno violenta a Bélgica” (referindo-se ao episódio da Primeira Guerra Mundial em que o império germânico cometeu uma série de atrocidades na Bélgica que se declarara neutra).
Estamos falando, é claro, sobre o jornal israelense Haaretz, considerado até então um jornal de alto padrão de jornalismo em Israel e às vezes comparado ao New York Times, que repetiu acusações infundadas de assassinato e de outras condutas impróprias pelos soldados da FDI em Gaza, em seu website em inglês que — como a caricatura de Oliphant — foram então disseminadas no mundo inteiro, como sendo um fato, através de mídias hostis.
Mesmo depois que as FDI investigaram e mostraram que as acusações eram boatos sobre eventos que não aconteceram, o Haaretz continuou no ataque. No dia 31 de março, o repórter Amos Harel escreveu o seguinte:
“Não há nenhuma razão para lançar dúvidas sobre a sinceridade do defensor militar geral, ou sobre a eficácia dos investigadores da polícia militar. No entanto, está obscuro como eles podem ter tanta certeza de que os ‘testemunhos dos soldados em combate’ eram só uma série de rumores e invenções enquanto os soldados eram verdadeiros durante as investigações conduzidas pela polícia militar e o comando da Brigada Givati”.
Quanto à charge de Oliphant, a figura grande não tem cabeça, e conseqüentemente não é um ser humano. Ou seja, israelenses não são humanos. Além disso, a figura acéfala é irracional. Somos então levados a acreditar que Israel atacou Gaza sem nenhuma razão. Esqueça dos milhares de foguetes, mísseis e morteiros, e contagens de ataques através da fronteira. A figura minúscula à direita não é ameaçadora. Assim não existe nenhuma razão para atacá-la. Quer dizer: Atacá-la é imoral e irracional. O mesmo poderia ser dito sobre a Al-Qaeda, o Hezbolá, e os terroristas paquistaneses que atacaram a cidade de Mumbai, etc.
Desumanização: A figura à esquerda é um monstro, um robô. Monstros e robôs não merecem nenhuma compaixão; eles têm nenhum direito à autodefesa. Se amanhã uma criança israelense ou um civil forem mortos em um ataque terrorista, como alguém poderia ter simpatias por esta gente, uma vez que não pessoas? (Este artigo é tradução do material publicado em inglês em http://fresnozionism.org/archives/1198).
Nota:
1. Pat Oliphant, cartunista australiano, vivendo nos EUA.