Israel destrói no Sudão comboio de foguetes contrabandeados
Uzi Mahnaimi *

Israel usou aviões não tripulados para atacar escoltas iranianas secretas no Sudão, que estavam tentando contrabandear foguetes para Gaza. Os projéteis teriam potência para atingir Tel Aviv e a cidade de Dimona, onde estaria o reator nuclear de Israel, afirmaram fontes da área da defesa. 
Os veículos aéreos não tripulados (UAVs) atacaram dois comboios escoltados, matando pelo menos 50 contrabandistas e iranianos membros das suas escoltas. Foram destruídos todos os caminhões que transportavam os foguetes de longo alcance. Os foguetes seriam entregues ao Hamas, o grupo islâmico militante que controla a Faixa de Gaza, e que teria elevado dramaticamente o nível conflito, permitindo aos palestinos estender o terror a Tel Aviv. 
De acordo com diplomatas ocidentais, Israel atacou os comboios iranianos no final de janeiro e na primeira semana de fevereiro no remoto deserto do Sudão, já fora de Port Sudan. As escoltas haviam sido localizadas por agentes do Mossad, a agência de inteligência israelense.
As incursões foram realizadas por aviões (drones) Hermes 450. Uma fonte declarou que eles foram acompanhados por gigantescos UAVs Eitan que têm 110 pés de envergadura, semelhantes nisso a um Boeing 737. Os drones, controlados por satélite, podem pairar sobre um objetivo durante 24 horas. O esquadrão dos Hermes 450 está situado na base aérea de Palmahim, sul de Tel Aviv, mas não ficou claro de qual aeródromo os aviões não-tripulados decolaram.
Numa declaração que todo israelense reconhece como sendo uma reivindicação de responsabilidade pela incursão, o ex-primeiro ministro de Israel, Ehud Olmert, disse: "Nós operamos em qualquer lugar onde as infra-estruturas terroristas possam ser golpeadas". E acrescentou: "Estamos operando em locais próximos ou distantes, e os ataques nos fortalecem e aumentam a dissuasão. Não há nenhum ponto em elaboração. Todo mundo pode usar sua imaginação. Quem precisa saber, sabe". 
Khartoum inicialmente acusou os Estados Unidos de estar atrás dos ataques. "Contatamos os americanos e eles negaram categoricamente que estavam envolvidos", disse o porta-voz do Ministério do Exterior do Sudão, Ali al-Sadig.  
Seus comentários foram o primeiro reconhecimento oficial do ataque aéreo, que primeiro informou semanas atrás o jornal egípcio El Shorouk. "Nós não soubemos do primeiro ataque até depois do segundo. Eles estavam numa área perto da fronteira com o Egito, numa área remota do deserto, sem cidades ou pessoas", disse Sadig. 
Fontes da área da defesa disseram que a razão principal pela escolha dos aviões não tripulados foi o fato de que uma escolta forma um objetivo "esquivo". "Quando você ataca um alvo fixo, especialmente um grande, o melhor a fazer é usar jatos. Mas com um objetivo móvel sem tempo definido para o movimento os UAVs são melhores, já que eles podem pairar extremamente altos e podem permanecer sem serem vistos até que o objetivo esteja em movimento". 
De acordo com as fontes, os comboios estavam levando foguetes Fajr3 que têm um alcance superior a 64 km e estavam divididos em seções para que assim pudessem ser contrabandeados através dos túneis para Gaza a partir do Egito. "Eles construíram o Fajr em partes, e dessa forma seria fácil contrabandeá-los para Gaza, onde seriam remontados com auxílio de peritos do Hamas que foram instruídos na Síria e no Irã", declarou a fonte.  
A Guarda Revolucionária do Irã planejou cuidadosamente a operação de contrabando. "Os iranianos chegaram a Port Sudan e estabeleceram ligações com contrabandistas locais", disse a fonte. O comboio estava seguindo rumo à fronteira egípcia onde, por uma polpuda taxa, assumiriam os contrabandistas locais. 

* Uzi Mahnaimi é jornalista do The Sunday Times (Inglaterra). Reportagem publicada na edição de 29/3/2009. O texto original encontra-se em www.timesonline.co.uk/tol/news/world/africa/article5993093.ece