O que se pode esperar das críticas feitas a Israel no que se refere às relações com os palestinos? Quando elas vêm, já ficamos com um pé atrás. Não são favoráveis. São, na maioria das vezes, maldosas e carregadas de interesses ideológicos. Nos últimos meses, quando Israel respondeu duramente aos ataques nas cidades próximas a Gaza, tivemos da parte da mídia, uma análise da situação mais fiel aos fatos e razões da posição tomada pelo Estado judaico; mas também tivemos as mais revoltantes formas de noticiar e as críticas mais virulentas.
O mote das notícias era a desproporcionalidade do ataque ao “povo palestino”, como se, em guerra, fosse possível estabelecer medidas de proporcionalidade. E ainda, segundo parte da mídia, Israel mais uma vez, entre tantas, agia com extremada violência sobre o pobre povo sofredor que, injustamente, vive confinado em campos de refugiados.
Passados dois meses, veio-nos a notícia de que alguns soldados israelenses tinham cometido um assassinato. Desta vez tinha sido contra mulheres que, seguindo ordens de um soldado, saíram da casa em que se abrigavam e foram covardemente mortas por um atirador. E assim as notícias nos chegam, e chegam também a quem não estabelece nenhum filtro para separar o que possivelmente é realidade daquilo que é um exagero.
Além de não dar o direito a Israel se defender de ataques inimigos, o que já é corriqueiro nos textos de mídia, se desconsidera, subliminarmente, que Israel é um Estado e, que como Estado, tem o dever de proporcionar segurança, integridade física, além de outros diretos e garantias aos seus cidadãos. Talvez muitos jornalistas e donos de veículos de notícias estejam mais acostumados com estados que não garantem a segurança de seu povo, a estabilidade dos investimentos de empresas nacionais em países estrangeiros, a saúde, e que fazem o possível para desacreditar as instituições democráticas e aquelas fundamentais para a estabilidade social.
Parece ser essa a regra dos nossos tempos: destruir o que há de exemplar, desacreditar instituições que garantem a democracia, reverter os conceitos de propriedade e direitos civis. Criminosos e traficantes têm força de policial, palavra de contraventor vale tanto quanto de um juiz, terrorista é símbolo de justiceiro e age em favor do oprimido.
As tentativas de levar a opinião pública a acreditar que Israel age como um Estado criminoso é orientado pela mesma lógica de destruição de valores democráticos e de direitos e responsabilidades do Estado. É uma lógica que desconsidera a História, que distorce informações, levando, mesmo aqueles mais ilustrados, à confusão e se julgarem incapazes de omitir opiniões ou, o que é pior, assumirem parâmetros de julgamento influenciados por parte da mídia. Vale a regra de Goebbels: minta, minta, até que a mentira se torne uma verdade.
Mas para a nossa satisfação “os judeus têm pescoço duro” e não se dobram para opiniões ou pressões que venham cercear as ações de defesa de Israel. E, muito menos, deixaram suas instituições se corromperem com acenos e ameaças de qual poder seja. Seus valores éticos serão preservados, seja para a defesa de seu povo, conduzindo as ações militares até as últimas consequências, ou seja, para quando a suposição de erros ou abusos, avaliar ações da força de defesa, mesmo que isso possa custar perdas políticas e divisão de opiniões internas. Tal apego aos valores históricos, que vêm desde a formação do Novo Estado de Israel, aos valores de uma ética milenar e exemplar ao mundo, ao respeito pelos seus cidadãos, colabora para que Israel seja um país democrático que, em muitas vezes, é, para meu gosto, excessivamente democrático.
* Antônio Carlos Coelho é professor universitário, escritor, diretor do Instituto de Ciência e Fé e colaborador do jornal Visão Judaica.