Muitos e bons motivos para comemorar os 60 anos de Israel
Esta edição comemora Pêssach (a Páscoa judaica), Iom Haatzmaut (a Independência de Israel) — dois dos mais alegres eventos do povo judeu —, seguidos de perto pela triste recordação do Holocausto (Iom Hashoá) e de Iom Hazicaron. Este último recorda os caídos em todas as guerras de Israel e as vítimas dos atentados terroristas, um dia antes da celebração da Independência. Este ano completam-se 60 anos. Há seis décadas, o Estado de Israel nascia, pondo fim à tormentosa espera de 2.000 anos, entrecortada pela odisséia sofrida de perseguições, falsas acusações, expulsões, massacres, conversões forçadas e tentativa de aniquilação. Para nós, é motivo de orgulho que a realidade de Israel teve a ajuda da mão do chanceler brasileiro Osvaldo Aranha, que presidindo a histórica sessão da ONU em 29 de novembro de 1947 bateu o martelo. O mesmo que hoje é relíquia bem guardada no kibutz Bror Chail, não muito distante de Sderot, cuja população é vítima diária dos fanáticos assassinos que lançam foguetes e mísseis com o intuito de disseminar o terror.
Mas Israel está aí, 60 anos depois daquela gloriosa declaração de Ben Gurion. Quem visita o país verá que há razões de sobra para comemorar. O Estado de Israel, nascido em 1948, foi concebido e é um país livre e democrático, em meio um mar de ditaduras; obteve a convivência de judeus e árabes, e entre os judeus, a coexistência de ortodoxos e laicos; destaca-se pelo enorme apreço ao desenvolvimento científico e tecnológico. O primeiro presidente foi o cientista Chaim Weizmann, que dizia que “devemos construir uma ponte segura entre a ciência e o espírito humano”. Por isso criou-se o Instituto Weizmann de Ciências, uma das dez maiores instituições de pesquisa do mundo. Não é de estranhar, pois, que em 60 anos, seja o único país do Oriente capaz de ganhar nove Prêmios Nobel em áreas distintas.
Há detalhes que merecem ser lembrados, pela nobreza de seus atos: Israel foi buscar na África 80 mil pessoas para viverem em liberdade, e não para escravizá-los, como outros fizeram. Hoje, são cidadãos comuns, integrados, que amam e defendem seu país como todos os 5,8 milhões de israelenses, e que só almejam a paz. Poucos sabem, mas há mais de 1 milhão de árabes vivendo em Israel. Têm direito ao mesmo ensino gratuito oferecido a todas as crianças dos 5 aos 17 anos, os mesmos serviços médicos e sociais, à Previdência, podem votar e ser votados. E não estão obrigados a servir o exército. Ainda não é um paraíso, tem problemas diversos, professores reclamam dos salários, o orçamento absorve 16% com as despesas de segurança, o país sofre constantes ameaças e atentados que procuram destruir sua estrutura. Porém, Israel, apesar dos pesares, vê seu futuro com muito otimismo. E a paz, para o seu povo, por isso mesmo, é vital.
Nada do que se faça poderá apagar os aberrantes acontecimentos que os nazistas e seus colaboradores perpetraram durante a Shoá. No entanto, o discurso da primeira-ministra alemã Angela Merkel no Parlamento israelense foi, sem dúvida alguma, extremamente significativo, ou melhor dizendo, histórico. Não foi apenas mais um discurso, mas um eloqüente pedido de desculpas e o reconhecimento da culpa alemã pelo ocorrido, e que, inegavelmente, perpetrou o maior crime da história da humanidade. Que tudo isso sirva, também, como um sonoro "cala boca" para aqueles que negam que ocorreu o Holocausto.
Mais uma comemoração, desta vez não de 60 anos como a de Israel, mas apenas de seis anos: a nossa — do jornal Visão Judaica. Foi em março de 2002 que começamos a empreitada de levar conteúdo e informação acerca do que acontece em Israel. Mas a informação verdadeira, não a distorcida ou manipulada da mídia mundial. O VJ também se dedica a preservar as tradições judaicas e a combater o preconceito e o anti-semitismo. E para isso, conta com o apoio dos seus leitores.
A Redação