Das tristezas e alegrias do judaísmo

Os judeus não são melhores, nem piores do que qualquer outro povo existente na face da terra. São iguais, exatamente iguais, com todas as qualidades e defeitos inerentes ao ser humano. A despeito de certos cultores de estrambóticas teses racistas, todos somos irmãos, partícipes da fraternidade universal, descendentes de antepassados comuns, de acordo com as Escrituras e até filhos do mesmo Pai. Durante milênios, o povo judeu foi perseguido pelos mais variados e pretensos motivos, que iam desde acusações de deicídio, passando pela bruxaria, libelos de sangue, envenenamento de poços de água, rapto e assassinato de crianças até a usura, avareza, mesquinhez, ladroagem e ambição desmedida. Modernamente, alguns setores da extrema esquerda mundial incorporaram também as inculpações — principalmente em relação a Israel e a seus vizinhos árabes — de invasores, espoliadores, assassinos desalmados e até comparações com o nazismo. Curiosamente é em certos países islâmicos que o nazismo foi inspiração para o ódio aos judeus, representados como a hidra de sete cabeças que precisa extirpada, e invariavelmente cognominada de “entidade sionista”.
O fato é que tanto no Oriente como no Ocidente o anti-semitismo continua a existir, em menor ou maior escala. Somos menos de 0,5% da população mundial, mas se incomodam muito conosco. E se manifestam sempre que algum judeu comete — como ser humano que é — erro, falha, ou delito lesivo. Se o judeu for uma figura pública, com visibilidade na mídia, como no caso do rabino Henry Sobel, então a maldade preconceituosa vem a galope, quer por reles piadinhas desengonçadas, quer por exibições de pura intolerância na mídia até mesmo aqui em Curitiba, de parte de gente que se supõe civilizada, ou ainda em blogs irresponsáveis na internet.
Em todas as gerações fomos perseguidos por sermos judeus. Hoje, com muita consternação, vemos que até mesmo os próprios judeus fazem discriminação entre si. Perguntamo-nos por que as diversas correntes do judaísmo têm que ser adversárias? Por que as ações não podem ser aglutinadoras e complementares? Em comunidades menores e com altos índices de assimilação, as diversas correntes do judaísmo, precisam somar esforços e se empenhar no fortalecimento da atuação comunitária, nas festas e tradições judaicas, no estudo e na aplicação da Torá e de seus preceitos, e principalmente facilitando o cumprimento das mitsvot. É necessário dar um basta aos que só sabem diminuir e dividir, quando deveriam somar e multiplicar, e se empenhar para a união em torno do judaísmo. Vivemos contradições, é verdade, mas precisamos superá-las.
Este é um mês de tristezas, mas também, de alegrias. Um aparente contra-senso para nos provar que a vida é feita de altos e baixos, estes para recordarmos nossas fragilidades e vicissitudes humanas, e aqueles para comemorarmos os triunfos e os esplendores das conquistas que podemos fazer com o apoio divino. Assim, como temos Iom Hashoá para lembrar as vítimas do Holocausto para que não se repita, e de Iom Hazikaron, para não esquecer aqueles que deram suas vida pela Nação judaica, temos também Iom Haatzmaut, para nos comprazer do restabelecimento de Israel após 20 séculos de esperanças e sofrimentos, e ainda Iom Ierushalaim para o enlevo e regozijo de nossas almas por termos Jerusalém e o Kotel Hamaaravi (Muro das Lamentações) de volta e podermos orar e chorar de felicidade. Tristezas e alegrias do judaísmo!

                                                                                                            A Redação