Eilat — 2

Meron, cidade de Shimon Ben Yochai

Antonio Carlos Coelho *

Desde a Idade Média a cidade de Meron, situada ao norte de Israel, é um local de peregrinação judaica. Atualmente, cidade de maioria oriental (judeus orientais), abriga uma bela sinagoga, a maior da Galiléia, e um conjunto de casas requintadas do final do período romano em Israel.
Meron está ocupada por uma população judaica desde os tempos de Alexandre Yonnai (103 – 76 a.e.c.). Após a segunda revolta judaica (135 e.c.) a população da Galiléia aumentou consideravelmente e Meron deixou de ser uma vila para se tornar uma cidade. Um dos motivos de tal assédio à cidade foi a presença de Rabi Shimon ben Yochai, um dos discípulos de Rabi Akiva que tinha escapado da execução no final da revolta judaica.  
Meron era um centro agrícola bastante forte. Foi o maior produtor de azeite na região Norte de Israel, assim manteve seu crescimento até o ano 360, quando, com as taxas impostas pelos bizantinos, acabou perdendo sua expressão e perdendo, também, muitos dos seus habitantes.
Entre seus habitantes mais ilustres está Shimon ben Yochai, mestre cabalista do segundo século da era comum. Shimon foi um dos discípulos de Rabi Akiva. Quanto este foi martirizado, Shimon, juntamente com outros discípulos, foi enviado para a Babilônia. Quando voltou, instalou uma academia em Tekoa – possivelmente a mesma Meron – onde formou seguidores. Com a publicação do Sefer Zohar, livro básico no estudo da Kabalah, a Cabala, o mestre, mesmo já morto há séculos, voltou a ter prestígio entre os místicos judeus. Muitos cabalistas de Seferad peregrinavam até a sua tumba esperando receber energias do notável cabalista de Meron.
Rabi Shimon nasceu na Galiléia próximo ao ano 100 da era comum. Foi um brilhante tanaíta do segundo século e desenvolveu importante trabalho para o Talmud e escreveu a Melchilta do livro de Shemot. Sua morte se deu em 18 de Iyar do ano 160 e.c., no 33º dia da contagem do Ômer, dia de Lag Ba’omer.   
Segundo a lenda, Rabi Shimon tinha poderes de transformar, com um mero olhar, uma pessoa maldosa em ossos, poder punitivo somente exercido por Eliéser ben Hirkanus.
O valor de uma visitação a Meron está concentrado na visita ao túmulo do mestre da Kabalah. Este é o motivo que, todos os anos, na Festa de Lag Ba’ômer, centenas de judeus, chassídicos, na maioria, vão à cidade nos montes da alta Galiléia.

* Antonio Carlos Coelho é professor, membro do Instituto Ciência é Fé e colaborador do jornal Visão Judaica.