Pêssach, vida, Israel e a realidade
Estamos em Pêssach, a festa que comemora a libertação do povo judeu, que evoca a passagem da escravidão no Egito para a condição de livres, e que relembra o sofrimento e as amarguras para transmitir aos nossos descendentes a esperança do retorno à terra do leite e do mel, Eretz Israel. Por mais de três milênios (3.318 anos, para ser exato) temos festejado esse evento reunindo todo ano as famílias e os amigos em torno da mesa de Pêssach para a leitura da Hagadá e o esperado sêder. A despeito de tudo o que aconteceu e ainda ocorre ao povo judeu nesses 33 séculos — e o Holocausto é talvez a chaga mais funda e ainda latente dessa tragédia que incluiu também, entre outros tristes capítulos de nossa história, a destruição dos Templos de Jerusalém, a Diáspora, a Inquisição, as perseguições e as expulsões — é nas noites do sêder de Pêssach que melhor se transfigura o aforismo multimilenar Am Israel Chai — o Povo de Israel Vive!
A morte da brasileira Helena Halevy, seu esposo Raffi, e os jovens Reut Feldman e Shaked Laskar, assassinados junto à Colônia Kedumim, no ataque terrorista de um imbecil-bomba, mostra o quanto está longe ainda o caminho para a paz no Oriente Médio. Helena, vivia em Israel há 42 anos e trabalhava numa creche para crianças excepcionais. É a terceira brasileira morta em atentados terroristas em Israel desde 2000. Em 2001, Giora Balach, de 60 anos, foi morto com mais 14 pessoas na explosão de uma pizzaria em Jerusalém. No ano passado, Dana Galkovitz, de 22 anos, morreu quando um míssil do Hamas, na Faixa de Gaza, atingiu a comunidade agrícola em que vivia no Sul de Israel. As Brigadas de Al Aksa, braço violento da Fatah, assumiram o último ataque, mas para o ministro da Defesa israelense Shaul Mofaz, o Hamas é o verdadeiro responsável na medida em que levanta a bandeira de continuar com o terror. Os atentados mostram a verdadeira face dos que não desejam a paz.
Distorcem a fé islâmica, religião que respeita o mesmo patriarca dos judeus, Abrahão, e mantém alguns costumes parecidíssimos com os judaicos, para “jogar” os judeus no mar, ou “varrer” Israel do mapa. Enquanto em Israel, qualquer religião, inclusive o islamismo,
é praticada livremente como em qualquer democracia, na maior parte dos países islâmicos, ao contrário, o judaísmo, o cristianismo e outras religiões não podem ser praticadas e os judeus sofrem um anti-semitismo comparável ao do nazismo. Dias atrás, o governo muçulmano Tadjiquistão, demoliu a última sinagoga que funcionava na capital Dushanbee, sob a prosaica desculpa de que precisava do terreno para construir um palácio presidencial... No fundo, tudo tem a ver com a Independência — e a existência — de Israel há 58 anos. É por isso que Israel já enfrentou tantas guerras no conflito árabe-israelense (em 1948-49, 1956, 1967, 1973 e 1982). Não entenderam que depois de 2.000 anos como centro espiritual Israel tornou-se uma realidade. Para os judeus e para o mundo.
Segundo o especialista em Oriente Médio, o norte-americano Daniel Pipes, a questão basicamente se resume assim: Os árabes lutam para eliminar Israel; Israel luta para ganhar a aceitação dos vizinhos. O primeiro é ofensivo em intenções; o segundo é defensivo. O primeiro é bárbaro, e o segundo civilizado. Por quase 60 anos os árabes que rejeitam Israel tentaram eliminá-lo com um amplo leque de estratégias: minar sua legitimidade através da propaganda, prejudicar sua economia através de um boicote comercial, desmoralizá-lo através do terrorismo, ou ameaçar sua população com armas de destruição massiva. Mas fracassaram, pois os israelenses ergueram um país moderno, forte e civilizado, com avanços políticos, sociais, econômicos e científicos. È a realidade que se espera, algum dia os árabes aceitem.
A Redação