Às vezes só com a duração de um dia, as festas judaicas procuram em sua maioria, a felicidade e o desenvolvimento do povo unido, sob a responsabilidade de ser feliz, transmitir e viver em alegria.
A mais longa, a travessia do deserto que começou com a saída da escravidão, do tempo do Egito, comemora todo um processo de salvação pela fé e pela confiança, todo um processo de resgate da liberdade e do direito à vida, uma vida segura e plena como dádiva divina, livre do domínio do homem pelo homem e de qualquer tipo de escravidão.
Os 40 anos no deserto acompanham toda essa aventura pelos caminhos da vida, de uma vida preparada para a liberdade e alegria.
As cabanas e a colheita em Sucót, as Leis e os Dez Mandamentos em Shavuót, se destacam e se aproximam, como a comida no deserto é o pão espiritual e a base espiritual plena.
Em ambas a presença divina é lembrada e destacada, pois na colheita D-us é nosso sócio, dele depende a chuva e o sol, as bases para uma colheita farta. Nas Leis, a presença Divina é básica e dela depende a vida, base de todas as Leis emanadas por D-us.
Quantos ataques pelas costas como o da travessia do deserto, o povo judeu sobreviveu e terminou em alegria e liberdade.
Amalek atacou a retaguarda na saída do Egito, onde iam as mulheres, os velhos, as crianças e os animais, mas o povo resistiu e venceu.
Olhar para traz e ver o que está acontecendo é fato primordial para ter sucesso e para ser feliz é preciso também olhar para trás e não só para frente.
É preciso também lembrar dos que ficam para trás e dos que vêm atrás de nós, em nossa retaguarda, para não sermos surpreendidos por ataques pelas costas.
No 17º dia, quando a comida escasseava, começou a cair o maná, gotas adocicadas que resultam da picada de uma cochinilha nas palmeiras e que condensam na areia fria da noite no deserto e derretem durante o dia sendo comida pelas formigas.
O provérbio português, “D-us ajuda quem cedo madruga”, vem daí. D-us protegia com o maná os que acordavam cedo, e a colhiam enquanto a areia ainda estava fria.
As codornizes que após a longa travessia dos mares caiam desfalecidas nas praias e nas areias do deserto.
Tudo levava a uma alimentação segura e bem vinda durante sua travessia.
E em todos os séculos, isso se repete, a tristeza leva à alegria, como na Pérsia de Haman, em que ele tentava dizimar e destruir os judeus que foram salvos pela beleza, inteligência, sabedoria e sorte da Rainha Ester.
Sua beleza, sua inteligência, sua sabedoria, sua afeição ao tio Mordechai, seu apego às tradições judaicas e sua fé.
Como faz falta nos dias de hoje uma Rainha Ester, mas talvez ainda ressurjam as condições para uma resposta e atitudes válidas e o desafio da Pérsia de hoje, ao Irã em sua nova escalada à violência, rumo à uma nova hecatombe humana.
A história se repete.
Chanuká – A vitória da fé.
A reinauguração e a reconsagração do Templo profanado. A guerrilha. A vitória de poucos sobre muitos. O milagre da luz, da duração da luminosidade e da pureza do óleo.
Como diz o Rabino Schlesinger, a alegria após o jejum e a penitência após o resgate da alma formam o seu recondicionamento humano.
Tudo leva à felicidade, à plenitude da vida, à alegria, aos sonhos e às bênçãos do divino e à satisfação do que é terreno.
Após a tristeza, a alegria a compensa e a recompensa na maioria das situações.
Vale à pena lutar, vale à pena viver e enfrentar agruras e sacrifícios, mas antes e acima de tudo, estar bem consigo mesmo, para poder está-lo com os outros.
Dar de si, compartilhar, participar, conviver e dizer: Estou aqui, presente na tristeza e na alegria, sempre com um sorriso nos lábios.
* Edda Bergmann é vice-presidente Internacional da B’nai B’rith.
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