14 de Nissan 5766 - 12 e 13 de abril de 2006
A história de Pêssach inicia nos dias do patriarca Avraham (Abraão). Quando D-us prometeu um herdeiro a Avraham, cujas sementes seriam tão numerosas como as estrelas, D-us também informou-o do longo período de escravidão que seus descendentes sofreriam por 400 anos, até que fossem libertados.
O primeiro dos descendentes de Avraham a chegar ao Egito foi seu bisneto Yossef (José), cuja miraculosa ascensão de escravo à quase realeza é uma das mais inspiradoras narrativas da Torá. Na dramática história de Yossef e seus irmãos, podemos ver claramente a mão condutora da Divina Providência que levou Yaacov (Jacó) e sua família ao Egito.
A chegada de Yaacov e sua família no Egito foi uma marcha triunfal. Assim foi também a partida, 210 anos depois, de seus filhos, os filhos de Israel, do Egito. Esta era a diferença: a pequena família de setenta pessoas havia se tornado uma nação grandiosa e unificada de três milhões de almas, das quais, 600.000 homens adultos.
A história de Pêssach termina no seu ponto alto em Shavuot, (festa da Outorga da Torá no Monte Sinai), é a história do nascimento de um "reino de sacerdotes e nação sagrada": O povo judeu.
Guia para a Páscoa judaica
Busca do chametz
Uma busca formal por chametz (restos de comida esquecida ou migalhas perdidas ou caídas de pão, biscoito, etc) deve ocorrer na noite anterior a Pêssach, este ano, 2006, terça-feira à noite, dia 11 de abril. A busca do chametz é feita à luz de uma vela. Os membros da família percorrem aposento por aposento, onde quer que algum alimento possa estar. É um costume cabalístico colocar dez pedaços de pão bem embrulhados (para que não caia nenhum farelo) e espalhados pelos diversos ambientes, para serem achados e coletados durante a busca geral de chametz. As crianças curtem muito este momento, percorrendo a casa munidos com uma pena que serve para "varrer" o chametz. Antes de procurar, recita-se a bênção Al Biur Chametz: "Baruch Atá A-do-nai E-lo-hê-nu Mêlech Haolám, Asher Kideshánu Bemitsvotav Vetzivánu Al Biur Chamêts." "Bendito és Tu, Senhor nosso D-us, Rei do Universo que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou remover o chametz".
Ao concluir a busca e após ter-se recolhido qualquer chametz que por acaso tenha sido encontrado, a seguinte declaração de anulação deve ser pronunciada: "Todo fermento ou qualquer produto fermentado em meu poder que não vi ou removi, e de que não tenho consciência, seja considerado sem valor e sem dono como o pó da terra".
O chametz encontrado durante a busca deve então ser embrulhado e colocado de lado, para ser queimado na manhã seguinte na sinagoga juntamente com o chametz de outros membros de sua comunidade e que passaram pelo mesmo procedimento.
Venda do chametz
Tradicionalmente, após guardar o chametz num quarto fechado ou num congelador trancado, é dada autorização ao rabino para a venda do nosso chametz. Assim o chametz deixa de pertencer ao judeu.
Na véspera do Sêder
Na véspera de Pêssach é proibido ingerir pão após as 9h30 e também não podemos ingerir matzá antes do Sêder.
Em Iom Tov (dia sagrado) não se cozinha para o dia seguinte.
Preparação da mesa
No Sêder, prepara-se a mesa da seguinte forma: no centro de uma bandeja colocam-se três matzot, que representam os três grupos de judeus: Cohanim, Leviim e Israel. Ao lado dessas matzot, colocam-se os seguintes símbolos:
Zeroá - Pedaço de osso do cordeiro ou ovelha, que se coloca na parte superior, à direita da bandeja. Este osso simboliza o poder com que D-us nos tirou do Egito e o cordeiro nos lembra o cordeiro pascal, sacrificado no Templo.
Betsá - Ovo cozido, colocado na parte superior à esquerda da bandeja, simboliza uma lembrança do sacrifício que se oferecia em cada festividade. Uma das inúmeras idéias relacionadas com o ovo colocado como símbolo na travessa do sêder é de que, normalmente, um alimento quanto mais é cozido, mais macio se torna. No caso do ovo é o contrário; quanto mais se coze, mais duro se torna. Assim é o povo judeu: quanto mais é oprimido ou afligido, como ocorreu no Egito, mais fortalecido e numeroso se torna.
Marór - Erva amarga, colocada no centro da bandeja, simboliza o sofrimento dos judeus escravos no Egito. Usa-se escarola, verdura mais amarga que alface.
Charósset - Mistura de nozes, amêndoas, tâmaras, canela e vinho. Colocada na parte inferior à direita da bandeja, representa a argamassa com a qual os judeus trabalhavam na construção das edificações do faraó.
Karpás - O salsão, colocado embaixo, à esquerda. Essa verdura, molhada em vinagre ou água salgada, serve para dar o “sabor” do Êxodo. Lembra o hissopo (Ezov) com o qual os israelitas aspergiram um pouco de sangue nos batentes de suas casas, antes da praga dos primogênitos.
Chazéret - Escarola. Coloca-se sob o Marór.
Além disso, coloca-se na mesa:
• Um recipiente com água salgada, em que se mergulham as verduras. Lembra o mar.
• A taça para cada um dos presentes. O conteúdo mínimo de cada taça é de 86 ml (valor numérico de Kos = copo).
O Sêder (Ordem)
Durante o Sêder, quem conduz a cerimônia deve obedecer a seguinte ordem:
Kadesh - fazer o kidush (benção)
O Sêdercomeça com o kidush feito sobre um copo de vinho cheio. Cada um dos presentes tem obrigação de beber no decorrer do Sêder quatro copos de vinho, contendo cada um pelo menos 86 mililitros. Estes quatro copos lembram as quatro expressões de salvação mencionadas na Torá:
“...E vos tirarei do Egito... e vos salvarei da escravidão... e vos redimirei com braço estendido... e vos tomarei para mim como povo...”
Ao terminar de recitar o kidush, cada um dos presentes bebe o primeiro dos quatro copos, reclinando-se sobre o lado esquerdo, como expressão de liberdade.
Ele moadei Ad-onai mikraê kodesh, asher tikreú otam bemoadam. Vaidaber Moshe et moadei Ad-onai el benei Israel. Sabri maranan! Veonim: (Lechaim). Baruch Atá Ad-onai El-oheinu melech haolam borê peri haguefen. Baruch Atá Ad-onai El-oheinu melech haolam, asher bachar banu mikol am, veromemanu mikol lashon, vekideshanu bemitsvotav, vatiten lanu Ad-onai El-ohenu beahavá Shabatot limnuchá umoadim lesimchá, chaguim uzmanim lessasson. Et yom chag hamatsot hazé, veet yom tov mikra kodesh hazé, zeman cherutenu. Beahavá mikra kodesh, zecher litsiat mitzraim, ki banu bacharta veotanu kidashta mikol haamim, umoadei kôdshecha besimchá uvssasson hinchaltánu. Baruch Atá Ad-onai, mekadesh Yisrael vehazemanim. Baruch Atá Ado-nai El-ohenu melech haolam shehecheianu vekiyemanu vehiguianu lazeman haze.
Urchatz – Lavar as mãos. Lavam-se as mãos como normalmente se faz antes de comer o pão, porém não se fala a berachá (benção). Isto porque o karpás é mergulhado na água salgada, o que exige lavar as mãos antes.
Karpás – Salsão. Mergulha-se um pedacinho de salsão (com menos de 18 g) na água salgada e, antes de comê-lo, recita-se a seguinte bênção (pensando no marór, pois a berachá também é válida para este): Baruch Atá Ad-onai El-ohenu melech haolam borê peri haadamá.
Yachats – Partir a matzá. Na bandeja do Sêder há três matzot. Toma-se a matzá do meio, quebrando-a em duas partes para lembrar o pão da pobreza, que nunca está inteiro. O pedaço menor é recolocado, entre as duas matzot inteiras, na bandeja do Sêder. O pedaço maior é guardado dentro de um guardanapo, sendo escondido. Este pedaço é o aficoman, que será comido no final do Sêder. As crianças costumam procurar o aficoman, ganhando brindes se o encontrarem, como pretexto para deixá-los acordados.
Maguid – Recitação da Hagadá (Livro recitado em Pêssach). Descobre-se a matzá e começa-se a leitura da Hagadá. Ha lachmá aniá. Este é o pão da pobreza – recita-se até o final do primeiro trecho. Enche-se novamente o copo de vinho e o mais jovem da casa recita, então, as quatro perguntas.
Ma nishtaná – As quatro perguntas. Por que esta noite é diferente de todas as outras noites? Em todas as noites não temos obrigação de mergulhar os alimentos nem uma só vez, enquanto que nesta noite o fazemos duas vezes? Em todas as noites comemos pão com levedura ou matzá, ao passo que esta noite, só matzá? Em todas as noites comemos todo tipo de verduras, enquanto que esta noite comemos marór - ervas amargas? Em todas as noites comemos sentados, enquanto que esta noite todos nos reclinamos? A resposta começa com Avadim hainu – escravos fomos – e faz-se uma narrativa histórica, falando sobre a escravidão e os sofrimentos dos judeus no Egito. Conta-se sobre as pragas e sobre os milagres realizados por D-us para a redenção de seu povo.
A terminar o texto da Hagadá com a bênção Asher guealanu, bebe-se o segundo copo de vinho, reclinando-se sobre o lado esquerdo, sem dizer a berachá.
Rochtsá – Lavagem das mãos. Antes do Hamotsi (bênção do pão) lavam-se as mãos para a refeição, recitando a seguinte bênção: Baruch Atá Ad-onai El-ohenu melech haolam asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu al netilat yadaim.
Motsi Matzá – Bênção da matzá. Segurando as três matzot (as duas inteiras e a quebrada), recita-se a bênção do pão (Hamotsi): Baruch Atá Ad-onai El-ohenu melech haolam hamotsi lechem min haaretz.
Imediatamente solta-se a matzá inferior e, segurando a matzá superior e a do meio, diz-se: Baruch Atá Ad-onai El-ohenu melech haolam asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu al achilat matzá.
Marór – Erva amarga. Pega-se a folha de alface e mergulha-se no charosset.
Não se reclina o corpo ao comer o marór, pois este nos lembra a servidão e a amargura. Antes de comer recita-se a seguinte bênção: Baruch Atá Ad-onai El-ohenu melech haolam asher kideshanu bemitsvotav vetsivanu al achilat marór.
Korech – Sanduíche de matzá e marór. Na Torá está escrito: Al matzot umerorim yocheluhu. Hillel entendia que se devia comer o sacrifício pascal junto com matzá e marór. Portanto, pega-se a matzá inferior e coloca-se entre dois pedaços da mesma (equivalentes ambos a um kazait), um outro kazait de alface romana (pesando cerca de 29g), mergulha-se tudo junto no charosset e se diz:
Zecher lamikdash kehilel hazaken shehaya korchan veochlam bebat achat lekayem ma sheneemar al matzot umerorim yocheluhu. Come-se, então, reclinando-se sobre o lado esquerdo.
Shulchan Orech – Refeição festiva. Serve-se a refeição, que se inicia com o ovo cozido. Depois, seguem-se os pratos especialmente preparados para a ceia. Deve-se acabar antes da meia-noite, para poder comer o aficoman antes desse horário.
Tsafun – Aficoman. Após a refeição come-se um kazait (29 g) de matzá, que é o aficoman, recitando-se a seguinte frase: “Zecher lekorbarn Pêssach haneechal al hassabá”. Após esta bênção, não é mais permitido comer ou beber durante essa noite, com exceção dos últimos copos de vinho.
Barech – Bênção após a refeição. Enche-se o copo de vinho pela terceira vez, recitando-se, então, o Bircat Hamazon (Graças após as refeições). Logo se diz a bênção do vinho e se toma o terceiro copo, reclinado sobre o lado esquerdo.
Halel – Louvores. Enche-se o quarto copo de vinho e recitam-se os louvores a D-us desde Shefoch Chamatchá, seguido do Halel até a conclusão do Nishmat. Bebe-se o quarto copo de vinho com o corpo reclinado sobre o lado esquerdo e depois recita-se a berachá “Al haguefen veal peri haguefen”, a bênção para quando se bebeu vinho em quantidade maior do que 45 centímetros cúbicos.
Nirtsá – Aceitação. Tendo conduzido o Sêder da maneira certa, conforme indicado acima, a pessoa pode estar segura de que o mesmo foi bem aceito. Então, termina-se com a seguinte proclamação: Leshaná habaá b’Yerushalaim – “No próximo ano em Jerusalém”.
(www.chabad.org.br e www.morasha.com.br).
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