Tel-Aviv
Yaffo Antiga
Antonio Carlos Coelho*
A história de Tel-Aviv, que se confunde com o movimento de “retorno a Israel” do princípio do século 20, está ligada a uma outra história bem mais antiga, a dos tempos bíblicos. Refiro-me a Yaffo (Bonita), cidade de origem cananita, que hoje está incorporada à cidade de Tel-Aviv.
Se tivermos a sorte de estar à beira da praia em Tel-Aviv, num dos tantos bares e restaurantes, e olharmos para esquerda de quem olha para o mar, veremos que um pedaço da cidade se destaca pela sua elevação, pela sua cor e pela arquitetura. Há ali uma cidade antiga que contrasta com a moderna Tel-Aviv das construções em estilo Bauhaus ou das mais futuristas representadas pela Azrieli Tower. É a antiga Yaffo, porto de onde Jonas, o profeta desobediente, partiu para Társis, tentando escapar da determinação do Senhor.
Yaffo passou integrar a cidade de Tel-Aviv após a Guerra da Independência. Mas muito, muito antes disso, foi cidade cananita, fundada lá pelo século 18 a.e.c., embora a lenda diga que tenha sido fundada por Jafet, filho de Noach. Ganhou notoriedade pelo seu porto que serviu ao comércio fenício e egípcio na antiguidade. Também, segundo a Bíblia, era pelo porto de Yaffo que entrava a madeira (cedro do Líbano) para a construção do primeiro Templo. E foi em Yaffo que, conforme a lenda grega, Andrômeda foi libertada por Perseu quando ameaçada pelo monstro marinho.
Yaffo também foi palco de acontecimentos marcantes da tradição cristã: a ressurreição de Tabita, milagre operado pelo apóstolo Pedro; e a revelação divina a esse mesmo apóstolo que, através de uma visão, percebeu que deveria acolher os gentis no âmbito da Igreja nascente.
Por Yaffo passaram Alexandre, o Grande, as legiões romanas de Vespasiano, os cruzados de Godofredo de Bulhão, Saladino e outros. No século 17 Yaffo retomou sua importância como cidade portuária. Importava açúcar e arroz e exportava sabão, azeite e algodão. Em 1799, Napoleão tomou e destruiu a cidade durante a sua desastrosa campanha em Israel.
Um dos principais monumentos presentes na entrada do atual bairro de Tel-Aviv é a torre do relógio, erguida em 1906, para comemorar o aniversário do sultão, marcando o período do domínio otomano na região.
Durante a Guerra da Independência, Yaffo foi destruída. Em 1965 teve início o processo de reconstrução. Muitos artistas se fixaram no bairro, fazendo dele um local de rara beleza. A moderna Yaffo manteve as vielas, longas e estreitas, possivelmente como no passado. As praças e os monumentos atraem turistas e, muitos noivos procuram seus jardins para algumas fotos.
O comércio é uma mistura: parte dele lembra um mercado, com frutas, verduras e outras quinquilharias; outra parte, onde houve a reconstrução, os artistas expõem em luxuosas vitrines jóias, peças de arte judaica, porcelanas, bordados e pinturas.
Yaffo é romântica. Lugar para descansar num final de tarde, depois de longos passeios pelas agitadas e quentes ruas de Tel-Aviv.
* Antonio Carlos Coelho é professor, diretor do Instituto Ciência e Fé, e colaborador do jornal Visão Judaica.
|