Visão Judaica Abril de 2005 Visão Panorâmica


Por: Yossi Groisseoign

Com os presidentes da Síria, Irã e Argélia
O presidente de Israel Moshe Katsav disse à imprensa que os apertos de mão com os presidentes das Síria e do Irã, Bashar Assad e Mohammed Khatami foram uma questão de educação e sem implicações políticas. Katsav fez parte da comitiva israelense que foi ao Vaticano para os funerais do Papa João Paulo II e apertou as mãos de Assad duas vezes, na sexta-feira, 8/4. Ambos ficaram próximos um do outro durante a cerimônia devido ao fato de que as delegações israelense e síria nos funerais foram assim posicionadas. Katsav disse que foi Assad quem tomou a iniciativa de cumprimentá-lo e ele retribuiu. A TV síria descreveu o fato como uma formalidade sem importância política. Ao final dos serviços fúnebres, Katsav, de origem iraniana, também trocou aperto de mãos com o presidente Mohammed Khatami. Ele disse que os dois conversaram brevemente em farsi sobre o fato de ambos terem nascido na mesma região do Irã. Katsav também apertou a mão do presidente argelino Abdelaziz Bouteflika. (Haaretz).

Testamento do Papa
O ex-grão rabino de Roma, Elio Toaff foi citado nominalmente no testamento do Papa. E disse que ficou contente com isso. Ele recebeu João Paulo II em sua primeira visita a uma sinagoga, a de Roma em 1986. “Tínhamos um relacionamento excelente, que se estreitou após 1986. Ele era uma pessoa de grande coração e um espírito de fraternidade que abrangia a todos”, disse Toaff. No testamento são mencionadas apenas duas pessoas vivas, seu secretário particular o arcebispo Stanislaw Dziwisz e Toaff. “Como eu poderia deixar de lembrar com grata memória meus irmãos cristãos, mesmo aqueles que não são católicos?”.”Como poderia deixar de lembrar o rabino de Roma e os numerosos representantes das religiões não cristãs?”, escreveu João Paulo II. (Iton Gadol/Jerusalém Post).

Saul Bellow falece aos 89 anos
Faleceu aos 89 anos o escritor laureado com o Prêmio Nobel, Saul Bellow, um mestre da melancolia cômica com romances que falavam do destino da alma no mundo moderno. Ele foi um dos mais aclamados dentre a geração de escritores judeus que emergiram após a Segunda Guerra Mundial, entre eles Bernard Malamud, Philip Roth e Cynthia Ozick. Roth disse esta semana que a espinha dorsal da literatura norte-americana no século 20 teve dois romancistas: William Faulkner e Saul Bellow. Ele foi o primeiro escritor a ganhar o National Book Award três vezes: 1954 pelas “Aventuras de Augie March”, em 1965 por “Herzog” e em 1971 por “O Planeta de Mr. Sammler”. Em 1976 recebeu o Prêmio Pulitzer por “Humboldt's Gift”. No mesmo ano, foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura por “sua visão humana e análise da cultura contemporânea” (Folha de S.Paulo/New York Times).

UE bloqueia TV do Hezbollá
A União Européia bloqueou a transmissão do canal de TV Al-Manar do Hezbollá através de satélites na Europa. A decisão é fruto de acordo com profissionais que regulamentam a difusão da UE. A rede colocou no ar programas controvertidos, incluindo um que acusa sionistas de espalhar a Aids no mundo árabe. No encontro da comissão reguladora foi decidida a intensificação da ação contra redes de TV que incidem o ódio e o racismo. (Jewish Telegraph Agency – JTA).

Israel na Copa do Mundo?
Nas duas últimas rodadas contra as duas seleções mais fortes do grupo (Irlanda e França), dois árabes-israelenses que jogam futebol na seleção de Israel, nos minutos finais de cada partida — para dar mais emoção — fizeram os gols dos empates israelenses por 1 a 1 em cada um daqueles jogos. Por causa dos dois resultados, a Seleção de Israel ocupa a liderança do grupo, ao lado da França, e tem grandes chances de ir para a Copa do Mundo, o que só ocorreu uma vez na história, em 1970. Para quem não sabe, por questão de segurança, Israel disputa as Eliminatórias da Copa do Mundo na Europa, apesar de estar em outro continente. (Agências).

Abbas vem ao Brasil
Em maio, o palestino Mahmoud Abbas, sucessor de Yasser Arafat, estará no Brasil. A Autoridade Nacional Palestina confirmou ao Itamaraty a vinda de seu novo presidente para a reunião de cúpula dos chefes de Estado sul-americanos e do Oriente Médio. (O
Globo).

Mais umas de Kadafi
Na reunião dos países árabes em Argel, Muammar Kadafi, que está no poder na Líbia desde 1969, chamou israelenses e palestinos de idiotas por defenderem a criação de Estados independentes. Ele classificou o Conselho de Segurança da ONU como uma organização terrorista. E disse que o chamado 'terrorismo islâmico' resulta, principalmente, da arrogância cultural do Ocidente” e que “Israel não tinha o direito de existir porque os moradores palestinos do país nunca o aceitaram”. E disparou: “Não posso reconhecer nem o Estado palestino nem o Estado israelense. A solução é a criação de um único Estado, disse Kadafi. Todos sabem que num país só, a população palestina supera a israelense e na primeira eleição, Israel corre o risco de ser extinto, como Kadafi quer.

Programa para crianças sudanesas
Um programa judaico será realizado no Chad, onde estão mais de 200.000 pessoas que se tornaram refugiadas devido às milícias Janjaweed apoiadas pelo governo do Sudão. O projeto de US$ 100 mil da Coalizão Judaica para Ajuda ao Sudão é apoiado pelo American Jewish World Service, pelo Estado de Israel, UJA-Federation de Nova York, Union of Reform Judaism e United Jewish Communities de Metrowest. (JTA).

Porto-riquenhos retornam ao judaísmo
Um grupo de 30 porto-riquenhos autodenominados B’nei Anusim, ou filhos dos coagidos, que afirmam ser descendentes de marranos, judeus convertidos à força ao cristianismo estão retornando ao judaísmo. No grupo, que vive em cidades montanhosas ao sul da capital San Juan, há nomes como Rodriguez, Gomez e Cardoso. Eles têm pouco contato com a comunidade judaica da ilha, mas recebem aconselhamento espiritual e comida kasher do Beit Chabad. O movimento internacional dos Anusim (cujo site é www.gacetaanusim.com) conta com milhares de membros e é mais forte na Espanha, Portugal, Ilhas Canárias, Caribe e América Latina – qualquer lugar em que a Inquisição tenha forçado os judeus a praticar secretamente sua fé. (Gaceta Ansuim)

Le Pen: ocupação nazista ’não foi tão ruim’
O político francês de extrema-direita Jean-Marie Le Pen minimizou a severidade da ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial. Le Pen disse ao Rivarol, um pequeno jornal que segue a sua linha política, que “a ocupação nazista na França não foi particularmente desumana, mesmo se houve alguns erros”. O ministro da Justiça francês Dominique Perben expressou a sua indignação, assim como o CRIF, a entidade-teto do judaísmo no pais. Perben pediu a abertura de inquérito sobre o assunto. Le Pen já foi condenado pelo menos seis vezes por racismo ou anti-semitismo. (JTA)

Pichações nazistas em Israel
Doze túmulos do cemitério militar do Monte Herzl em Israel foram profanados com pichações nazistas, no segundo ato de vandalismo promovido no local nos últimos dias. Dizeres em hebraico louvando Hitler pintados com spray foram encontradas por um pai que visitava o túmulo de seu filho. David Avidar disse que havia uma letra em cada túmulo formando as palavras “Hitler, o cérebro”. Menos de 72 horas antes, na parte destinada aos líderes nacionais israelenses, o monumento ao visionário do sionismo Theodor Herzl, fora profanado, com uma referência a atos neonazistas. O túmulo do ex-premier Yitzhak Rabin, assassinado em novembro de 1995 por um extremista judeu também foi pichado. A palavra Hitler também foi pintada com spray no monumento ao primeiro–ministro de Israel, David Ben Gurion, no deserto do Negev. A polícia ainda não tem pistas sobre quem está por trás destes atos. (Jerusalem Post).

Crescem exportações para a América Latina
Estudo divulgado pelo Instituto de Exportação e Cooperação Internacional de Israel indica que houve aumento de cerca de 30% nas exportações industriais no primeiro semestre de 2004 para a América Latina, excluindo-se da pauta o setor de diamantes, totalizando aproximadamente US$ 460 milhões. Esse crescimento registrou um aumento de seis vezes no volume habitualmente destinado à Venezuela e quatro vezes maior para a Bolívia. As exportações para o Brasil registraram uma alta de quase 18% com relação ao mesmo período de 2003, totalizando US$ 186 milhões. (Câmara Israel-Brasil de Comércio e Indústria).

Israel e os mercados emergentes
Um estudo, realizado pela revista semanal britânica The Economist, sobre o PIB per capita nos chamados mercados emergentes classificou Israel em terceiro lugar, logo depois de Cingapura, com uma renda de aproximadamente US$ 19 mil. O trabalho foi feito com base nas últimas estimativas do Banco Mundial. Depois de Israel aparecem a Coréia do Sul, a República Checa, Hungria, Arábia Saudita, Polônia e África do Sul. (The Economist).

Muro das Lamentações é o lugar mais visitado em Israel
O Departamento de Estatísticas do Ministério de Turismo de Israel publicou o resultado de uma pesquisa feita com 17.000 turistas. O lugar mais visitado do país, citado por 51% entrevistados, é o Muro das Lamentações, na cidade velha de Jerusalém. Em segundo lugar, com 41%, vem o bairro judeu, também na cidade velha. A cidade de Yaffo, próxima a Tel Aviv, foi visitada por 27%. Três quartos dos entrevistados avaliaram a viagem como ‘muito boa’ ou ‘excelente’. E 93% deles asseguraram que vão recomendar aos amigos que visitem Israel. (Itón Gadol).

Israelenses e palestinos juntos no Hospital Hadassa
O Hospital Hadassa é o mais eficiente de Israel. Cada vez que há um atentado mais da metade das vítimas são atendidas nele, mas sua caracteriza especial é a convivência entre médicos e pacientes que se transformou em uma admirável ilha de paz em Jerusalém. Lá o dr. Abu Ajamieh, cirurgião palestino que vive na cidade de Hebron, Cisjordânia opera uma jovem de 20 anos vítima de um atentado suicida. Nesta tarefa conta com o auxílio do chefe de cirurgia plástica do hospital Rami Neuman, israelense que vive em Maale Adoumin, a maior colônia judaica do país. Kahil é um dos 10 médicos palestinos contratados para trabalhar nos centros do hospital, e 15% dos funcionários são árabes. Em alguns quartos pacientes palestinos e israelenses convivem em harmonia. (Cidipal/Iton Gadol).