O
significado da liberdade em Pêssach e outros temas Estamos próximos de uma das principais festividades
do povo judeu. Pêssach comemorado todos os anos recorda
que nossos antepassados foram escravos no Egito e que sofreram
muito até serem libertos por Moisés com a ajuda
de D-us, e conduzidos ao deserto, onde vagaram 40 anos até retornarem
a Eretz Israel, não sem antes obterem as leis e os
mandamentos divinos. Liberdade não tem preço
e por isso todos os anos, em todas as gerações
a epopéia do povo judeu é relembrada. Muitos
pensam que são livres, quando na verdade são
freqüentemente ‘escravos’ da vida moderna.
Em Pêssach devemos sair dessa escravidão e adquirir
a verdadeira Liberdade!
Pêssach nos leva a reviver a liberdade que nossos antepassados
experimentaram, e que significa ‘passagem’, marcando
a mudança do estado da escravidão para a liberdade,
ou seja, a renovação. E estamos vivendo fatos
impressionantes. Há poucos dias, em Roma, durante
os serviços fúnebres do Papa João Paulo
II, — cuja memória será sempre abençoada — o
presidente de Israel, Moshé Katsav foi cumprimentado
e apertou as mãos dos presidentes da Síria,
do Irã e da Argélia, Bashar Assad, Mohammed
Khatami e Abdelaziz Bouteflika, três países
tecnicamente inimigos! Isso significaria mudanças
essenciais no Oriente Médio? Pode ser. E tomara que
seja!
A morte de João Paulo II nos fez ver a coragem e a
visão do grande homem que se foi e que se preocupava
com a paz no mundo. E quão importante foi para os
judeus, com quem conviveu de perto em Wadowice e na Cracóvia,
onde salvou pessoas da morte e das garras dos nazistas. Como
Papa, pediu perdão pelo que a Inquisição
e a Igreja fizeram aos judeus em dois milênios de perseguições,
torturas e calúnias. Reconheceu o Estado de Israel,
estabelecendo relações diplomáticas
com o país e indo até lá, para orar
no Muro das Lamentações, visitando Jerusalém
e o Museu do Holocausto. Ali, num discurso tocante, recordou
os que pereceram no Holocausto. Suas palavras ainda ecoam
fundo na alma de muitos: “Homens, mulheres e crianças
choram para nós do fundo dos horrores que só eles
conheceram. Como podemos deixar de ouvir o seu grito?”.
Ninguém fez tanto pela mudança nas relações
entre a Igreja e os judeus como Karol Wojtyla.
Ao inaugurar o novo edifício do Museu do Holocausto,
o Yad Vashem, o 1º ministro de Israel, Ariel Sharon,
deu um recado claro àqueles que com a desculpa do
anti-sionismo, se convertem na vanguarda judeufóbica,
negam legitimidade à existência do país
e desejam eliminá-lo do mapa: "Israel é a única
garantia de que povo judeu não sofra outra Shoá".
E acrescentou: “Lembraremos com dor e respeito os milhões
de judeus exterminados ao longo da história pela mesma
intolerância que hoje se intitula anti-sionista.
Em maio acontecerá a cúpula entre os países árabes
e América Latina. Por trás dos acordos comerciais — bons
para o Brasil — reside o risco dos países latinos
serem enredados numa armadilha. Jornalistas que tiveram acesso
ao rascunho do documento a ser assinado ao final do evento
afirmam que dele constam parágrafos de condenação
a Israel e a tentativa de diferenciar o terrorismo do direito
legítimo dos povos em resistir à ocupação
estrangeira. Como é sabido, não existe o terror
bom ou mau. Ambos são iguais.
Ah, íamos esquecendo. Com esta edição
especial de Pêssach, o jornal Visão Judaica
completa seu terceiro aniversário e inicia seu quarto
ano de circulação. Boa leitura a todos e um
Pêssach Sameach.
A Redação
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